"Problemas no paraíso"

Colisões de aves em vidraças

Um acidente que comumente ocorre com aves, principalmente nos locais onde elas são atraídas por alimentos ou quando estão em rota migratória, é a colisão com vidraças. O reflexo do ambiente externo no vidro confunde as aves que neles colide.  Têm sido observadas colisões também com grandes paredes brancas. A solução no caso é pintá-las de outras cores ou deixar crescer trepadeiras como a unha-de-gato e outras. Algumas medidas para evistar colisões em vidraças são aqui indicadas.

Evitar atrativos para as aves nas proximidades

Uma primeira providência é evitar colocar atrativos (fontes de água, comedouros, caixas para ninhos) perto de superfícies refletoras.

Escolha do vidro

Ao projetar o edifício o ideal é que sejam escolhidos vidros não reflexivos e não totalmente transparentes, com algum tipo de textura ou linhas serigrafadas. Vidros foscos também não produzem reflexo do ambiente externo. Os arquitetos têm um importante papel nessa escolha.

Inclinação dos vidros

Se os vidros forem instalados inclinados, com a parte mais baixa afastada, os vidros refletirão a imagem do chão e não do ambiente atrás da ave ou do céu, impedindo as colisões. Os arquitetos têm um importante papel nessa etapa do projeto, embora, claro, a inclinação dos vidros implique em uma maior largura da parede envidraçada.

Silhuetas de aves de rapina

Uma forma prática e decorativa é afixar nas vidraças desenhos de aves predadoras de pássaros, como falcões, que funcionam como espantalhos. O CEO preparou os Falcões do CEO, desenhados por Rolf Grantsau. Estes poderão ser copiadas, impressos e recortados para serem afixados nas vidraças. Também podem servir para a confecção de adesivos. É proibido seu uso para fins comerciais. Clique nas figuras para ampliar.

 

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Há relatos de experiências bem sucedidas com o uso desse tipo de silhuetas em vidros, como o que nos foi relatado pelo 3º Batalhão de Polícia Ambiental da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

 

Entretanto, questiona-se que haja de fato um efeito de espantalho. O efeito seria devido ao fato das figuras (poderia ser qualquer figura) diminuir o espaço por onde a ave pode passar,  desencoraja-a de voar em sua direção. Desta forma, qualquer figura poderia ser utilizada, sendo recomendada a colocação de fitas adesivas no vidro a uma certa distância entre elas. Há recomendação de que as imagens (figura ou fitas) no vidro devem ter uma distância mínima entre elas de 10 cm verticalmente e 5 cm horizontalmente (Flap Canada).

Uma alternativa já experimentada com sucesso são os vidros serigrafados.

Desenhos visíveis apenas na faixa do ultravioleta

Um tipo de vidro, chamado Ornilux, apresenta desenhos visíveis apenas na faixa do ultravioleta, que pode ser enxergado por muitas espécies de aves. Alguns grupos de aves, entretanto, percebem o ultravioleta apenas em algumas condições de luz, entre elas gansos, patos, pombos, aves de rapina e corvos (https://goo.gl/0uoxBr). Um impedimento para o uso desses vidros é, naturalmente, o custo. Uma alternativa é a colagem nos vidros de adesivos com desenhos visíveis apenas na faixa do ultravioleta. No recanto Tangará (Cananéia) foi utilizada a técnica de rabiscar os vidros com sabonete de glicerina. Essas riscas refletiriam a luz ultravioleta, impedindo as colisões.

Conhecendo o fenômeno

Independente da solução implementada, é interessante conhecer de forma detalhada o fenômeno. Os funcionários da limpeza, segurança e outros, de prédios comerciais, ou moradores de prédios residenciais, podem ser orientados a toda vez que achar uma ave acidentada por colisão leve-a a alguém que estará encarregado de encaminhá-la a um Centro de Triagem de Animais Silvestres - Cetas (caso ainda esteja viva) e/ou de fazer o registro da espécie acidentada, se adulto ou jovem, data e horário (presumível) do acidente, local exato do prédio onde foi encontrada. Essas informações poderão ser úteis no planejamento das medidas de prevenção e também para avaliar se as medidas tomadas tiveram algum efeito. O ideal é que este trabalho seja feito com a consultoria de um biólogo.

Evitando criação de mosquitos

 

A disponibilização de água poderá criar condições para a criação de mosquitos, entre eles o Aedes aegypti, transmissor da dengue, Chikungunya, Zica-vírus e febre amarela. Esse mosquito é bem adaptado ao ambiente doméstico. No caso de vasilhas e pias batismais, a água deve ser trocada com frequência (no máximo uma vez por semana - fixe um dia da semana, para não se esquecer) quando a vasilha deverá ser bem limpa e escovada (os ovos do mosquito podem estar fixados à parede da vasilha). Se não puder tomar esse cuidado por algum motivo (ausência prolongada do domicílio por algum motivo) desative as fontes de água, ou encarregue alguém de fazer a limpeza.

 

No caso de laguinhos, coloque, além de plantas aquáticas, peixes, que comerão as larvas dos mosquitos. Para escolher os melhores peixes para cada tipo de lago oriente-se nas lojas que vendem peixes de aquário ou coloque os pequenos "guarús" que podem ser achados em praticamente qualquer riacho. Mesmo assim, mantenha rigorosa vigilância, procurando sempre pela presença de larvas de mosquitos.

 

Pombos domésticos

O pombo-doméstico, Columba livia, não é ave nativa brasileira. É originário da Europa, tendo sido trazido para nosso país já domesticado. Soltos, permanecem próximos das habitações humanas, onde podem causar problemas econômicos, de saúde e estéticos, necessitando de medidas de controle. Os pombos são reservatórios de diversos micróbios causadoras de doenças no ser humano e em animais domésticos, como a Salmonela (bactéria que causa infecção intestinal); Toxoplasma (protozoário causador da toxoplasmose). Há também micróbios que se desenvolvem nas fezes dos pombos, daí podendo propagar-se com a poeira, contaminando pessoas pelas vias respiratórias, que são dois fungos: Criptococo e Histoplasma. Também transmitem piolhos. As penas e excrementos podem acarretar entupimentos de calhas e canos de drenagem de água. As fezes podem causar corrosões em superfícies de edifícios e equipamentos (ar condicionado), também ocasionando danos às pinturas, inclusive de carros. O barulho que fazem à noite podem incomodar os moradores.

 

Como evitar os pombos domésticos

 

Se os pombos passarem a frequentar os comedouros, estes devem ser desativados, bem como outras possíveis fontes de alimentos para eles, como as comidas de cachoros e gatos, que devem então ficar em lugar inacessível aos pombos. Uma solução é aproveitar que os comedouros de grãos têm telhados e colocar em torno do comedouro uma tela do tipo dessas usadas em sacadas de apartamentos. As aves menores passarão pela trama, mas não os pombos.

 

Nos locais onde os pombos pousam ou fazem ninhos, instalar objetos pontiagudos, como arames. Naturalmente isto só deverá ser feito em lugares inacessíveis às pessoas, especialmente crianças, para evitar acidentes. Nesses locais  podem também ser colocados redes de plástico (do tipo dessas de embalar laranjas e cebolas). Elas assustam os pombos. Também funcionam fios de nylon esticados a aproximadamente 10 cm da superfície. Se o beiral for largo, colocar vários fios. Quando possível, eliminar esses locais, ou fechá-los. Outra alternativa para superfícies onde os pombos pousam é mudar sua inclinação (para em torno de 60 graus ou mais). É uma boa solução para aparelhos de ar condicionado. Lembrar que a sujeita feita pelos pombos nesses aparelhos será levada para o interior e inalada pelas pessoas.

 

Espantalhos são inefetivos, pois os pombos logo se acostumam com eles. Os pombos hoje andam em meio às pernas das pessoas, nas calçadas movimentadas. É citado o uso de silhuetas de corujas para serem colocadas nos lugares que usam como pouso, mas não há experimentação comprovatória. Assustar os pombos com alarmes, tiros artificiais, bombinhas, etc, pode funcionar, mas são difícies na prática e de efeito também passageiro.

 

É controvertido o uso de repelentes químicos no ambiente doméstico. Além do preço têm efeito fugaz e também o inconveniente de afetarem aves silvestres. Há também produtos químicos que aderem às penas dos pombos, igualmente condenáveis, pois além de afetarem também aves silvestres, trata-se de método cruel. Da mesma forma aparelhos que produzem ultrassons, que segundo os fabricantes espantam os pombos.

 

O uso de contraceptivos já foi experimentado, mas não há comprovação de funcionamento a longo prazo. Quando a diminuição da população ocorre, outros indivíduos podem vir de outros lugares. Também podem afetar aves silvestres, além de ser um método caro.

 

Tem sido indicada também a substiuição de ovos de pombos nos ninhos por réplicas de ovos. A população será assim mantida estável, mas não eliminada. Quando os pombos morrerem, outros poderão vir de outros lugares.

 

Quaisquer medidas drásticas de controle, como envenenar, matar ou ferir os pombos, destruir ninhos contendo filhotes, são métodos crueis, não têm respaldo legal e não devem ser utilizadas.

 

Problemas com aves em geral

 

Andorinhas, em geral migratórias, podem se concentrar em determinadas épocas em determinados lugares, causando problemas. Algumas medidas são sugeridas:

 

1- Fazer plantios de árvores a alguma distância do local, formando pequenos bosques, que podem ser utilizados pelas andorinhas como pouso noturno.

2- Designar pessoa para no horário em que as andorinhas vêm para o pouso, espantá-las com varas, barulhos e outros meios. Poderão acabar procurando outro pouso. Há relato de que esta técnica já foi usada em aeroportos e fábricas.

3- Uma técnica "elegante" porém pouco prática é a da falcoaria (falcões treinados) que são usados para fazerem vôos pelo local, desta forma espantando as aves. Deve naturalmente dispor de um profissional treinado na técnica e com autorização do IBAMA.

4- Uma técnica recomendada para evitar pouso de pombos, que pode servir para andorinhas, é utilizar redes que são usadas na fabricação de sacos de embalagem de laranjas, cebolas, etc, colocando estas redes nos locais de pouso. Isto amedronta as aves, que não mais pousam nestes locais.

5- Há relato de que em Roma utilizam estruturas de arame fino colocadas nos pontos de pouso. Mesmo efeito dos sacos de embalagem.

6- Uma técnica que valeria a pena experimentar seria fazer silhuetas de gatos em papelão ou compensado e colocá-las nos locais de pouso. Espera-se que as andorinhas não pousem a uma certa distância destas. Aí seria só ir aumentando o número destas silhuetas até que não houvesse mais uma distância "segura" para as andorinhas pousarem. Há experiências que demonstram que as aves (em geral) acabam se acostumando com espantalhos.

7- Há um relato de que determinado local a solução foi, no momento das andorinhas chegarem para o pouso, molhar o telhado com uma mangueira. Talvez pelo fato de ficar pingando durante um certo tempo e as vigas estarem também molhadas, as andorinhas não pousavam. Naturalmente só poderá ser feito onde puder ser jogada água, como em telhados de postos de gasolina.

8- Há um relato não confirmado de que a simples pintura do teto de um galpão afastou as andorinhas.

Veja mais em: Bird Control Products

Proximidade de aeroportos

Para evitar a atração de aves para áreas próximas a aeroportos, o que que pode causar colisões com aeronaves, há legislação proibindo a prática de atração de aves, em um raio de 20 km em torno do aeroporto.

 

Atração de mamíferos silvestres

 

Em lugares mais próximos de áreas naturais ou de parques urbanos é possível que apareçam mamíferos silvestres.

 

 

A princípio isto não precisa ser considerado um problema, se for evento ocasional. Mas mamíferos não voam, como as aves (exceto os morcegos, claro, por isto não são problema ao virem até os bebedouros às noite). A vinda de mamíferos, como o caxinguelê, ao comedouro, pode expô-lo a predadores, inclusive serem atacados por animais domésticos. Também há o problema que se tornam confiantes nas pessoas com certa facilidade, o que pode ocasionar mordidas, com a consequente necessidade de providências para a prevenção da raiva. Outras espécies, como o macaco-prego e quatis, podem tornar-se bem "intrometidas", entrando nas casas em busca de comida.

 

Mitos sobre a atração de aves

 

Nos Estados Unidos certa época acreditava-se que os comedouros facilitavam a transmissão de doenças entre as aves. Descobriu-se que aves mortas encontradas próximo dos comedouros (o que deu origem ao mito) eram aves velhas ou com doenças crônicas, que por ali ficavam pela facilidade de conseguirem o alimento e acabavam ali morrendo.
 
Outra suspeita era de que o fornecimento de alimento adiava a migração das aves, fazendo que o inverno as pegasse de surpresa. Isto também foi desmentido e, claro, em nosso meio não teria tanta importância, já que nosso inverno é muito menos rigoroso que o da América do Norte.

 

Alguns acreditam que a colocação de alimentos para as aves faz com que elas abandonem suas fontes naturais de alimento. A experiência empírica tem demonstrado que isto não ocorre, pois nota-se que na época em que o alimento é mais abundante na natureza (frutificações, flores com néctar, etc) a frequência aos comedouros diminui. De qualquer forma, quando alguém tiver que desativar ou suspender temporariamente a oferta de alimentos para as aves, deve fazê-lo gradativamente, para que as aves possam encontrar outras fontes (embora empírico, faz sentido).

 

Em nosso meio criou-se o mito de que água açucarada causa doença em boca de beija-flores, fato também não comprovado científicamente.