Fatores gerais que propiciam a ameaça de extinção de aves no estado de São Paulo

 

Muitas das ameaças e estratégias de preservação indicadas para as espécies listadas como ameaçadas de extinção são de caráter geral, e aplicáveis a muitas delas, senão a todas. São aqui tratadas, para evitar sua repetição na ficha de cada espécie. Poderão estar indicadas nas respectivas fichas de forma sintética.

Necessidade de pesquisas para melhor conhecimento da ocorrência da espécie

 

O resgate das informações históricas sobre a ocorrência da espécie é desejável, pois pode indicar áreas prioritárias de pesquisa de ocorrência atual. A procura da espécie pode também ser priorizada em seu habitat conhecido. Para espécies de difícil detecção, recursos como captura com rede de neblina e identificação pela vocalização poderão ser necessários. O resgate das ocorrências históricas de forma geral em toda a área de distribuição da espécie poderá auxiliar no caso de espécies com movimentos migratórios ainda pouco conhecidos. Estímulo à realização de levantamentos de avifaunas e sua divulgação poderão ampliar os registros conhecidos das espécies. A disposição de publicações ornitológicas ou correlatas de publicarem relatórios de registros pode ser um estímulo a esta modalidade de pesquisa ornitológica. Espécies classificadas como Dados Deficientes na categoria de ameaça necessitam de estudos para que sua classificação quanto ao nível de ameaça possa ser feito. Publicações de guias de campo e CDs com vocalizações, da mesma forma que a disponibilização na Internet de fotos e vozes das espécies ameaçadas é de grande interesse, facilitando sua identificação no campo. A troca frequente de informações entre pesquisadores pela Internet, em especial por meio dos grupos de discussão também pode ajudar na identificação de espécies de difícil identificação no campo e melhor conhecimento de sua distribuição.

Preservação do habitat da espécie

 

Garantir áreas mínimas de habitat preservados e protegidos. Estimular a criação de unidades de conservação nas áreas de ocorrência da espécie. A compensação por eventuais perdas de áreas de Unidades de Conservação com o estabelecimento de novas áreas contíguas, conforme proposto pela Campanha Compensando a Natureza com a própria Natureza, do CEO, é uma forma de garantir que as unidades de conservação não percam suas áreas mínimas. A constituição de corredores ecológicos entres Unidades de Conservação oficiais ou outros remanescentes é uma estratégia importante para evitar os efeitos prejudiciais da fragmentação. O estímulo à constituição de RPPNs – Reservas Particulares do Patrimônio Natural, garantindo a proteção também de áreas particulares, é uma estratégia que tem tido boa receptividade atualmente, com o aumento destas áreas e a constituição de associações de proprietários de RPPNs nos Estados e no âmbito nacional. Warren Dean, no lilvro A Ferro e Fogo descreve o processo histórico de desmatamento da Mata Atlântica.

Perda dos habitat campestres

 

As regiões de cerrado do Brasil central passaram por profunda redução das áreas naturais, pela ocupação para agricultura extensiva. Novas técnicas agrárias, como a calagem para eliminar a toxidade do alumínio e a acidez do solo, estimularam investimentos na área, com empreendimentos de larga escala envolvendo plantações de eucalipto e pinho, canaviais para a produção de açúcar e plantações de soja. Mais de 95% da área arável já foi provavelmente apropriada ou degradada. Fragmentos de áreas puras de campos montanhosos ao sul de 15º S estão agora confinados a partes de cinco Parques Nacionais e um pequeno número de outras modalidades de reservas. Tudo indica que a maior parte da vegetação de campos em outras áreas do Brasil tende a desaparecer rapidamente. (Collar et al. 1992).

Como resultado deste desenvolvimento, praticamente todas as espécies endêmicas ou quase endêmicas das vegetações abertas do Brasil central sofreram drásticos declíneos (Teixeira & Negret 1984, Cavalcanti 1988, Willis e Oniki 1988b), e algumas podem já estar extintas na maior parte de sua distribuição original, entre estas Nothura minor, Taoniscus nanus, Columbina cyanopis, Caprimulgus candicans, Euscarthmus rufomarginatus, Anthus nattereri, Sporophila nigrofufa, Poospiza cinerea e possivelmente também o misterioso Conothraupis mesoleuca. (Collar et al. 1992). No Estado de São Paulo muitas áreas de campos limpos e sujos foram ocupados com a plantação de Pinus sp. e Eucalyptus sp. ou transformados em pastos e laranjais (Willis 1975). O resgate das áreas hoje ocupadas com plantios homogêneos nas Estações Experimentais, muitas destas contíguas a remanescentes naturais e a restauração nestas áreas de áreas de campos é uma estratégia a ser proposta e defendida.

Outros fatores apontados como responsáveis pela redução das áreas de cerrado são a mecanização da agricultura, criação intensiva de gado, desflorestamento, gramíneas invasoras, uso excessivo de pesticidas e queimadas (BirdLife International 2000).

Perda do habitat de restinga

 

A grande demanda por propriedades ao longo do litoral para a construção de residências e outros empreendimentos relacionados com veraneio é a principal ameaça a este habitat. No Estado de São Paulo algumas espécies são dependentes deste habitat como Amazona brasiliensis, Phylloscartes kronei, Tangara peruviana e outras, além de diversas subespécies também próprias deste ambiente (Willis & Oniki 1992a).

 

Medidas visando coibir e desestimular a captura na natureza para servirem como animais de estimação

 

O tráfico de animais silvestres para servirem como animais de estimação é uma atividade criminosa e como tal exige ações policiais, muitas vezes ineficientes e insuficientes. Desta forma, a melhor estratégia para coibir este tráfico é desestimular por todas as formas o interesse das pessoas por manterem animais silvestres como animais de estimação. Este é o enfoque da Campanha Permanente Lugar de Animal Silvestre é na Natureza, do CEO. A mídia tem tido de uma forma geral uma atuação positiva neste sentido e este é um importante espaço a ser utilizado. Há instituições não-governamentais no Brasil que se dedicam ao combate ao tráfico de animais silvestres e pode-se colaborar com elas fazendo denúncias e ajudando em sua manutenção. A WWF já produziu materiais educativos para serem utilizados nesta educação ambiental.

 

 

Segundo Lino (1992) resta menos de 5% da cobertura florestal original do estado.

 

 

Referências bibliográficas

 

Lino, C.F. (1992) Reserva da Biosfera da Mata Atlântica. Plano de ação. Vol. 1. Referências básicas. Consórcio Mata Atlântica, Universidade Estadual de Campinas, São Paulo, Brazil.