Curiango-do-banhado

Hydropsalis anomala

Sickle-winged Nightjar

 

Ameaçada de extinção (SP)

 

Atualização 18/1/2009

 

 

 

 

Distribuição Geral

 

Brasil central e sudeste. Paraguai, Argentina. Uruguai?

 

Distribuição no Estado de São Paulo

 

Populações

 

O curiango-do-banhado é praticamente desconhecido. Na quase totalidade dos registros parece ter sido encontrado como indivíduo isolado e na maior parte das localidades para onde é citado, foi detectado apenas uma vez. Diversos autores o consideram uma espécie rara (Belton 1984-1985, Contreras et al. 1990, Canevari et al. 1991, M. Nores e D, Yzurieta in litt. 1986, J.C. Chebez in litt. 1986, D.A. Scott in litt. 1986, F.E. Hayes in litt. 1991), porém sua extensa área de ocorrência, que se estende de Brasília para o sul até Buenos Aires e de São Paulo para oeste até Santiago del Estero, sugere que a espécie não tenha pode não ter sido adequadamente procurada. Contreras et al. (1990) manifestou esta idéia, mas ao mesmo tempo supõe que seja uma espécie com concentrações populacionais bem localizadas, e com grandes distâncias entre estas concentrações.

 

Ecologia

 

Muito pouco se sabe. Como habitat é citado as margens de alagados (Negret et al. 1984, Sick 1985). Alguns registros do Brasil, Paraguai e Argentina confirmam esta preferência. Num relato do Reservatório do Rio Hondo (Argentina), a ave pousava em arbustos e fios de cercas, em uma área de arbustos espinhentos e "sunchales" próximos à margem de uma lagoa (Nores et al. 1991, M. Nores in litt. 1992). Os registros do Rio Uruguai, Arroyo Palmar e Puerto Boca foram feitos em matas ciliares no barranco de rios ou ao longo de riachos (M. Nores and D. Yzurieta in litt. 1986, M. Nores in litt. 1992, M Pearman in litt. 1992). O exemplar de Ceibas estava em terreno tipo chaco, dominado por Prosopis affinis próximo de um pequeno brejo. (E.I. Abadie per M. Pearman in litt. 1992). Também dois espécimes do Paraná foram coletados próximo ou dentro de alagados (Straube 1991). Short (1975) listou a espécie como um habitante do chaco, habitando campos abertos e bordas de matas mas preferindo a proximidade de água. Contreras et al. (1990) indicou seu habitat como savanas úmidas tropicais e sub-tropicais, especialmente com campos, também ao longo de cursos d’água, lagos, brejos e bosques alagados de palmeiras. Reinhardt (1870) registrou que as aves de Minas Gerais foram coletadas no cerrado, mas é possível que tenha se referido à paisagem e não ao local específico das coletas.

O conteúdo estomacal de um espécime mostrou pequenos besouros, mariposas e formigas (Pereyra 1939). Em outro exemplar (que voou de arbustos de cardo) foram encontrados insetos (Sclater e Hudson 1888-1889).

Dois ovos e uma ave morta forma adquiridos no "Alto da Serra" em 17 de novembro (von Ihering 1902). Três jovens recém saídos do ninho foram coletados em dezembro (von Pelzeln 1868-1871). O espécime (LSUMZ) de Itapetininga, coletado em outubro, tinha ovários desenvolvidos, da mesma forma que os coletados em agosto em Piraquara (Straube 1991) e Lagoa Santa (Reinhardt 1870). Contreras et al. (1990) não puderam, com os dados disponíveis, concluir se a espécie é residente ou migratória em Chaco, Argentina. De fato, não existem dados de ocorrência da espécie no país entre março e agosto. Pereira (1939) refere-se à espécie como sedentária nas proximidades de Tostado e Entre Ríos, enquanto que Giai (1950) descreve a espécie como muito mansa (ao ponto de poder ser pega com a mão) no período reprodutivo mas desconfiado como os outros caprimulgídeos no período pré-migratório.

 

Ameaças

 

A presença de gado pode intimidá-lo, afastando-o destes locais (Dante R.C. Buzzetti, verb)

 

Medidas tomadas

 

Indicadas duas áreas-chave para sua preservação no Estado (Wege & Long 1995).

Vide Medidas Tomadas sob Nothura minor: um trabalho de preservação em Itapetininga.

 

Medidas propostas

 

Vide Straneck (1994). (vocalização e costumes).

 

Verificação das áreas protegidas existentes e da magnitude das populações que elas albergam.

 

Pesquisa das necessidades ecológicas da espécie. Verificar a densidade populacional mínima para manutenção de populações viáveis.

 

Nível de ameaça

 

São Paulo (1998): Em Perigo.

 

Preservação ex-situ