Nothura minor

codorna-buraqueira

Lesser Nothura

 

Ameaçada de extinção (SP)

 

Atualização 28/4/2011

 

Wikiaves

Distribuição Geral

Endêmica do Brasil. Ocorre em poucas localidades distribuídas numa ampla região do Brasil central e sudeste, do centro de Mato Grosso e Goiás até o centro de São Paulo.

Populações no estado de São Paulo

Teixeira (in litt. apud Collar 1992) acredita que a espécie não foi suficientemente procurada. Pode ser até comum localmente (Vielliard in litt. apud Collar 1992). Entretanto os espécimes recentes e os registros visuais são escassos, sugerindo um declínio acentuado. Aparentemente ocorre em baixas densidades nas poucas localidades de registros mais recentes e está ausente em muitas localidades com hábitats favoráveis (BirdLife International 2000). Pode estar extinto no estado de São Paulo (Willis & Oniki 2003).

Ecologia

Habita o cerrado, frequentemente nas mesmas áreas de Nothura maculosa, porém em "campo mais sujo" (Sick 1997), especialmente nas áreas não perturbadas de campo limpo e campo sujo, sendo incapaz de adaptar-se a hábitats modificados pelo homem, ao contrário de Nothura maculosa (Magalhães 1978). É notavel que Nothura minor tenha sido registrada nas mesmas localidades (Lagoa Santa, Orissanga, Itararé, Itapetininga, Brasília) que Taoniscus nanus. J. Natterer (von Pelzeln 1868-1871) registrou indivíduos solitários desta espécie em capim alto nas campinas, observando que ela corre rápido e que quando caçada com cães, frequentemente se escondem em buracos de tatús onde podem ser pegas com a mão. Em Emas é usualmente encontrada solitária em extensões abertas de campo limpo, com arbustos e pequenas arvores esparsas, frequentemente em áreas onde grandes cupinzeiros são numerosos. Aparentemente preferem áreas com uma cobertura contínua de capim alto e "sedges", onde praticamente é impossível vê-las, ao contrário da Nothura maculosa. Uma pequena área de campo sujo do Parque Nacional de Brasília manteve uma pequena população por um período de pelo menos 4 anos, durante o qual o local não foi queimado. Nenhum indivíduo foi observado ou ouvido em uma área próxima com habitat semelhante, que foi queimada pelo menos duas vezes durante este período. No habitat preferido, tanto em Brasília quanto Emas, foi encontrada coabitando com quatro outras espécies de aves também ameaçadas no Brasil central: Micropygia schomburgkii, Alectrurus tricolor, Culicivora caudacuta e Coryphaspiza melanotis. Não há nenhuma informação sobre a dieta. O macho coletado no MS em setembro tinha os testículos aumentados, e jovens foram capturados em janeiro (Reinhardt 1870), março (Pinto 1938) e junho (Allen 1871-1893). Estes dados sugerem que a reprodução se dá normalmente durante a estação chuvosa, de outubro a fevereiro. Foi observado que a espécie é presa da coruja buraqueira, Speotyto cunicularia (Teixeira & Negret 1984).

Ameaças

Perda do hábitat. (BirdLife International 2000).

Medidas tomadas

Indicadas três áreas-chave para sua preservação no Estado (Wege & Long 1995).

O Centro de Estudos Ornitológicos propôs que as áreas naturais da Estação Experimental de Itapetininga fossem transformadas em Estação Ecológica (Centro de Estudos Ornitológicos 2000). Da mesma forma propôs que os exemplares de Pinus elliotti invasores das áreas de campo limpo, fossem retirados.

Medidas propostas

Estudos detalhados desta espécies bem como de outros tinamídeos dos campos e cerrados do Brasil central (Rhynchotus rufescens, Nothura maculosa e Taoniscus nanus) são desejados, com particular ênfase na ecologia da codorna buraqueira e Taoniscus nanus. Estas e outras espécies listadas acima devem constituir objetivos primários de um esquema de detecção e pesquisa biológica nas áreas remanescentes de hábitats apropriados, dentro de sua área de distribuição, especialmente nas três áreas protegidas em que são conhecidas (Emas, Parque Nacional de Brasília e reserva do IBGE). Também devem ser pesquisadas nos outros grandes parques e reservas da região: Reserva Ecológica da Serra das Araras no Mato Grosso (E.O. Willis in litt. apud Collar 1992); Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, também no Mato Grosso, embora a maior parte do melhor campo sujo da região fica ao norte dos limites do parque, onde uma extensão de sua área deve ser feita; Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás; Parque Nacional Grande Sertão Veredas e Parque Nacional da Serra da Canastra, ambos em MG. As extensões ao Norte e ao Oeste do escudo brasileiro, como a Serra do Cachimbo, Serra dos Apiacás e Serra do Roncador mantêm comunidades animais e vegetais de campo e cerrado pouco conhecidas, o que demanda investigações para este grupo de aves e que podem ser protegidas com sucesso contra modificações pelo homem. (Collar et al. 1992)

Técnicas de manejo com uso do fogo devem ser empregadas em todos os parques e reservas biológicas para garantir a presença contínua de todos os estágios de vegetação de campo (campo limpo, campo sujo, campo cerrado). Pesquisas são necessárias com relação aos efeitos do fogo e pastagem na estrutura e composição florística dos campos do Brasil central, e com relação ao papel ecológico do fogo na distribuição e abundância das aves de campo. Trabalhos para esclarecer estes temas também devem ser dirigidos no sentido de determinar a possibilidade de restaurar determinadas áreas degradadas. (Collar et al. 1992)

A coleta de "bolotas" de Speotyto cunicularia para nestas procurar ossadas de N. minor pode ser uma estratégia de detecção da espécie.

Iniciar sua criação em cativeiro, visando a reitrodução em áreas protegidas onde esteja extinta localmente. (Andrade 1998a)

Preservação ex-situ

É desconhecida sua existência em cativeiro.