Binóculos na observação de aves

 

Luiz Fernando de Andrade Figueiredo

 

O binóculo faz da observação de aves uma atividade mais interessante, facilitando a identificação e ampliando a quantidade e a qualidade das observações. Pode ser considerado o único item realmente indispensável, o que ficou bem registrado na brincadeira de um observador que dizia preferir esquecer de levar a própria cabeça que o binóculo. Laycock (1976) é menos surrealista, mas não menos contundente, ao dizer que esquecer o binóculo é como esquecer os próprios calçados.

Os binóculos são instrumentos ópticos constituídos de dois pares de lentes ou de conjuntos de lentes. São na verdade duas lunetas colocadas lado a lado, uma para cada olho. As lentes da frente, sempre bem maiores que as de trás, são as objetivas, assim chamadas porque estão do lado do objeto a ser observado. As de trás, por onde se olha, são as oculares. As objetivas recebem a luz e formam uma imagem do objeto dentro do binóculo. As oculares ampliam esta imagem e a apresentam aos olhos. Nos binóculos modernos as lentes simples foram substituídas por lentes compostas com a finalidade de eliminar distorções de imagem e de cor que as lentes simples produzem. Entre as objetivas e as oculares estão os prismas, que funcionam como espelhos, mudando a direção da luz e invertendo a imagem, que de outra forma pareceria de cabeça para baixo. Os prismas contribuem também para diminuir a extensão do binóculo, tornando-o mais compacto.

 

Há dois sistemas de prismas: Porro (nome do italiano que idealizou o sistema, inicialmente para telescópios, adaptado posteriormente pela Zeiss para binóculos) e Roof. No sistema Roof as objetivas e oculares estão na mesma linha. Portanto são mais compactos e consequentemente também mais leves que os de sistema Porro, em que as objetivas estão mais afastadas entre si que as oculares (há dois prismas montados em ângulo reto um com o outro). O sistema Roof tem a vantagem de ser mais compacto, porém há os que vêm vantagem em uma maior distância entre as objetivas, o que dá um efeito estereoscópico melhor. O sistema Porro era predominante até a década de 60. Hoje o sistema Roof tem sido o preferido para observação de aves. Outra vantagem apontada para esse sistema é o de terem menos problemas de alinhamento as lentes, já que todo o conjunto de lentes e prismas está montado dentro de um único corpo. Por ser mais compacto, seria também mais resistentes às quedas. Mas por terem um sistema mais complexo são mais dispendiosos. Há ainda um terceiro sistema, o Porro-reverso, em que as objetivas estão mais próximas entre si que as oculares, tornando o binóculo mais compacto.

Há uma grande variedade de binóculos, desde os pequenos modelos dobráveis de teatro até os grandes "marítimos". Os equipados com "zoom" permitem variar o aumento acionando-se um dispositivo. Os modelos "in focus" apresentam a imagem sempre focalizada, dispensando acionar-se um comando para isto. Também já estão disponíveis binóculos com dispositivos que diminuem o efeito do tremor das mãos.

Os binóculos podem ser caracterizados por três qualidades ópticas principais: o aumento, a luminosidade e o campo de visão.

Em geral eles vêm especificados por dois números separados por um "X". Por exemplo: 8X40, 7X50, etc. O primeiro número seguido do "X" refere-se ao aumento e o segundo número refere-se ao diâmetro da objetiva em milímetros.

O aumento, ou mais rigorosamente falando, a aproximação, refere-se a quantas vezes o objeto parece aumentado ou aproximado de nós. Um objeto situado a 1000 metros parecerá estar a uma distância de 100 metros se observado com um binóculo de aumento de 10 vezes (10X) e a uma distância de 125 metros se o binóculo for de 8X. Da mesma forma seu tamanho aparente estará aumentado tantas vezes quantas for o aumento do binóculo.

Uma forma de se verificar o aumento do binóculo é por meio da relação entre sua pupila de entrada e a pupila de saída. A pupila de entrada corresponde ao diâmetro exposto da objetiva. Para se medir a pupila de saída segura-se o binóculo com os braços esticados contra um fundo iluminado. Observa-se um círculo luminoso no meio das oculares que é o feixe de luz oferecido aos olhos. A medida do diâmetro deste feixe é a pupila de saída. Dividindo-se o diâmetro da pupila de entrada pela pupila de saída tem-se o aumento:

 

Aumento  = pupila de entrada (diâmetro da objetiva) / pupila de saída (diâmetro do círculo luminoso da ocular)

 

A luminosidade relativa ou coeficiente de brilho de um binóculo é dada pelo seguinte cálculo:

 

Luminosidade  = diâmetro da objetiva  x  pupila de saída / aumento

 

Quanto maior o diâmetro da objetiva, maior a luminosidade, pois maior quantidade de luz passa por ela e maior será também o potencial de resolução do binóculo. Quanto maior o aumento, menor a luminosidade, pois a medida em que se amplia o aumento quantidades menores de luz proveniente das objetivas atingem as oculares. Isto pode ser constatado facilmente nos binóculos com "zoom". Acionando-se o dispositivo para um aumento maior percebe-se que a luminosidade decresce.

 

A pupila de saída corresponde ao diâmetro do feixe de luz que é oferecido ao olho. Para que o olho aproveite toda a luz oferecida pelo binóculo, e neste caso a imagem parecerá mais clara, é necessário que a pupila de saída não seja maior que o diâmetro da pupila do olho. A pupila humana varia de aproximadamente 2 a 4 milímetros em dias claros até 7 milímetros na completa escuridão. Desta forma, durante dias claros e em lugares abertos, binóculos com pupilas de saída menores, em torno de 4 mm, serão mais brilhantes. Em astronomia pupilas de saída de 7 mm são padrões. Para observação de aves, considera-se que mesmo nas piores condições iluminação, a pupila de saída poderá ter no máximo 6 mm. Os chamados binóculos "noturnos", como o 7X50, têm pupila de saída de 7 milímetros, oferecendo ao olho um largo feixe de luz. São por isto ideais para ambientes e horários de pouca luminosidade.

A capacidade de abertura da pupila diminui com a idade. Em torno dos 20 anos ela abre-se até em torno de 7 mm. Já aos 50 anos esta abertura máxima pode ser só de 5 mm. Portanto, pessoas com esta idade ou mais não se beneficiam com binóculos com pupilas de saída maiores que este valor.

Uma forma de aproveitar completamente a luz oferecida pelo binóculo, ou seja, fazer com que a pupila do olho se acomode a um diâmetro igual ou superior à pupila de saída, é impedir que a luz do ambiente atinja os olhos por cima e pelos lados. Isto pode ser conseguido com o boné e as mãos em viseira. Uma forma prática de verificar se o binóculo é adequado é dividir o diâmetro da objetiva pelo aumento, que dará a pupila de saída:

  

Pupila de saída   = diâmetro da objetiva / aumento

 

Além do diâmetro da objetiva e do aumento, outro fator de grande importância na luminosidade é a qualidade dos vidros das lentes. Os binóculos de boa qualidade têm suas lentes revestidas com uma finíssima camada de fluorido de magnésio. É esta camada que dá às lentes um tom azulado. Sua finalidade é diminuir a reflexão pela superfície da lente. Sempre que esta superfície está em contato com o ar, ocorre a reflexão de aproximadamente 5% da luz. Somando-se todas as superfícies em contato com o ar quando a luz percorre o binóculo, o total de reflexão pode atingir até 50% da luz incidente nas objetivas, que é o que acontecia com os binóculos antigos. As reflexões no interior do binóculos dificultavam a observação da imagem, como se assistíssemos um filme com as luzes acesas. O fluorido de magnésio pode reduzir a reflexão para 1 ou 1/2% e, quando aplicado em camadas múltiplas, para até 0,25% por superfície. Desta forma, binóculos modernos conseguem transmitir 95% da luz incidente nas objetivas até nossos olhos. Além de aumentar a luminosidade, evita o aparecimento de "imagens fantasmas" decorrentes dos reflexos. Pode-se verificar se as lentes estão recobertas com este material observando-se nas lentes o reflexo de uma luz fluorescente. Nas lentes recobertas com fluorido de magnésio o reflexo terá uma cor azulada, esverdeada, alaranjada ou avermelhada. Nas especificações técnicas dos binóculos poderão constar esta qualidade. Utiliza-se a seguinte nomenclatura:

 

C - (coated optics): uma ou mais superfícies recobertas.

FC - (fully coated): todas as superfícies em contato com o ar recobertas. Lentes plásticas não são recobertas.

MC - (multi-coated): uma ou mais superfícies recobertas com várias camadas.

FMC - (fully multi-coated): todas as supefícies ar-lente são recobertas com multi-camadas.

 

Alguns binóculos têm nas lentes uma cobertura avermelhada. São mais apropriados para ambientes luminosos e também para lugares com muito contato com umidade (water proof).

 

A luminosidade é uma qualidade muito importante quando se pretende fazer observações em ambientes pouco iluminados, como florestas densas ou em horários de pouca claridade, como ao amanhecer e ao entardecer.

Narosky (1995) recomenda colocar anéis cortados de câmaras de pneus de bicicleta nas oculares, de modo que elas se acomodem ao redor dos olhos, impedindo a entrada lateral de luz, melhorando assim a visibilidade do binóculo.

Quem usa óculos terá maior dificuldade. Não é pratico ficar tirando e pondo os óculos toda vez que usa o binóculo. Pode-se utilizar óculos de mergulho sem os plásticos da frente, servindo apenas como uma espécies de viseira lateral.

O campo de visão é a amplitude da imagem que vemos no binóculo. É como se dentro de uma sala observássemos uma paisagem através de janelas de diversos tamanhos. Quanto maior a janela, maior a área da paisagem que podemos observar, ou seja, maior o campo de visão. Ele pode ser medido de duas formas. A medida linear pode ser dada em pés (1 pé = 30,48 cm) da área observada por meio do binóculo, situada a uma distância de 1000 jardas (1 jarda = 3 pés), ou seja, 914 metros. Virá registrado, por exemplo, assim: "377ft/1000yds", ou pode ser dada em metros, por exemplo: "122m/1000m". O campo de visão pode ser medido também pelo ângulo de visão. A olho nu conseguimos ver com um campo de visão de 160 a 170º. Com binóculos está entre 5 e 8,5 graus. Há uma relação entre o campo de visão e o diâmetro da objetiva: quanto maior este, maior aquele. Quanto maior o aumento, menor o campo de visão. Campos de visão amplos ajudam a localizar mais rapidamente o objeto. O campo de visão medido pelo ângulo pode ser transformado na medida linear multiplicando-se o ângulo por 52,4, o que dará a medida linear em pés/jardas. Para transformar um campo de visão dado na medida linear em metros na medida em ângulo, basta dividir a primeira (valor em metros do campo) por 17,5, resultando o valor em ângulo. Binóculos com maiores campos de visão são também mais caros, pelo fato de terem um sistema de lentes oculares mais complexo e prismas maiores. O campo de visão pode variar em pequeno grau entre diferentes modelos de binóculos, mesmo com o mesmo aumento, o que depende de características da ocular. Entretanto, campos de visão aumentados acima do habitual para determinado aumento, têm desvantagens como menor afastamento dos olhos, maior custo, maior peso e maiores distorções ópticas. Binóculos com grande campo de visão, chamados de WA (wide angle) apresentam campos em torno de 122m/1000m.

Para os que usam óculos uma qualidade importante do binóculo é o eye relief, ou afastamento dos olhos ou descanso ocular. Esta característica é a distância máxima que os olhos podem ser afastados das oculares, sem que haja diminuição do campo de visão. Em geral este valor varia de 9 a 13 mm. Esta distância pode ser verificada na prática. Aponte o binóculo para uma fonte de luz bem iluminada e coloque uma folha de papel em frente à ocular e vá movimentando-a para frente e para trás até que a imagem fique a mais nítida possível. A distância entre a ocular e este ponto dá a medida do afastamento dos olhos. Uma forma de aproximar os olhos das oculares é retirando as proteções de borracha que fica em torno das oculares, eventualmente substituindo-as por outras menos proeminentes, apenas para proteger os óculos de arranhaduras. Em lojas que vendem produtos diversos de borracha encontra-se anéis de borracha que podem servir para este fim. Existem binóculos com oculares especiais para usuários de óculos, com afastamento dos olhos de 14 a 20 mm.  Quanto maior o campo de visão menor o afastamento dos olhos.

Quem usa óculos tem uma dificuldade adicional pois os olhos ficam mais distantes do binóculo, permitindo a entrada da luz. No campo não é prático ficar tirando e pondo os óculos pois acaba-se perdendo tempo de observação. Lentes de contato são desaconselháveis pois é muito frequente caírem ciscos nos olhos, o que pode ocasionar complicações.

Quando o tempo está muito quente e úmido os óculos poderão ficar embaçados com frequência. Pode-se usar produtos desembaçadores ou mesmo “riscar” a lente com velas e espalhar a parafina com um papel fino.

A distância mínima de focalização do binóculo é uma característica importante, principalmente quando se observa aves que estão bem próximas de nós, como no sub-bosque de matas, por exemplo. Os binóculos mais modernos são melhores neste aspecto, permitindo focalizar a uma distância de 2,5 m com um aumento de 8x. 

Os portadores de miopia  ou hipermetropia puros podem simplesmente tirar os óculos no momento de usar o binóculo, já que a focalização do binóculo supre a função corretiva dos óculos nestes casos. Entretanto ficar pondo e tirando os óculos pode não ser prático no campo.

O fluorido de magnésio pode ser aplicado também nos óculos, melhorando a sua visibilidade.

 

Ajustes do binóculo. O binóculo apresenta dois ajustes que permitem adaptá-lo aos olhos de cada indivíduo. O primeiro, chamado ajuste das oculares, permite focalizar individualmente para cada olho, o que é útil para as pessoas que apresentam diferenças visuais entre os olhos. Note que uma das oculares é móvel, permitindo girá-la. É chamada ocular da dioptria. Para ajustá-la, primeiro olhe apenas com a outra ocular, fechando o olho que olha pela ocular da dioptria. Ajuste o foco do binóculo até ficar bem nítido. Agora feche aquele olho e mantenha aberto apenas o que olha pela ocular da dioptria e vá girando-a, até a máxima nitidez. Pronto, este é o ponto em que ela deverá ficar. Frequentemente este ajuste sai da posição, pelo manuseio do binóculo. Para evitar ter que ficar ajustando frequentemente, podemos fixá-lo com uma fita adesiva. 

 

O segundo ajuste permite variar a distância entre as oculares, de modo que esta distância corresponda à distância inter-pupilar de cada um. Existe em geral junto ao eixo do binóculo uma escala variando de 60 a 70 que corresponde à distância entre os centros das oculares, em milímetros. É bom que cada um meça sua distância inter-pupilar ou a verifique, quando houver, na receita do oculista e ajuste o binóculo para esta medida, o que garante uma melhor visibilidade. 

 

Escolha do binóculo. Alguém já disse que qualquer binóculo é melhor que não ter nenhum, porém algumas características são desejáveis no binóculo do observador de aves. Pode parecer que quanto maior o aumento melhor o binóculo. Isto nem sempre é verdade no caso da observação de aves. Com um binóculo de grande aumento é mais difícil focalizar a ave dentro do campo visual e também há maior necessidade de mantê-lo imobilizado, para evitar que a imagem fique "balançando". Outras desvantagens são a menor luminosidade, o maior peso, a maior distância mínima de focalização, o menor campo de visão e o maior preço. Deste modo, binóculos acima de 10X de aumento são inadequados para a observação de aves.

Os ideais são os de aumento entre 7 e 10X. Para observações no campo aberto, o de 10X é uma boa opção. O modelo 7X50 é muito apreciado por sua alta luminosidade e amplo campo de visão, sendo preferido para observações na mata, onde as aves são vistas a menores distâncias e o ganho em luminosidade é fundamental.

Para a observação de aves marinhas que são vistas a grandes distâncias e geralmente em vôo, os modelos de maior aumento e amplos campos de visão são bastante úteis. Quando a observação é feita de barcos em movimento, os amplos campos de visão são obrigatórios.

O peso é uma qualidade importante na escolha do binóculo para muitos, pois pode ser cansativo carregá-lo e segurá-lo durante horas. A pressão da correia sobre o pescoço pode causar cansaço e a pressão sobre as veias pode causar dores de cabeça. Para evitar isto pode-se utilizar o suspensório de binóculo que é uma correinha presa à alça do binóculo e ao passador da calça ou ao cinto, que puxa a alça do binóculo para as costas, evitando a pressão sobre o pescoço.

O aumento do binóculo (caso a especificação tenha se apagado ou haja dúvida quanto a sua veracidade) pode ser verificado por meio da pupila de saída. Outra forma de verificar o aumento é a seguinte: observa-se com apenas um olho pelo binóculo e com o outro olho observa-se o objeto diretamente, procurando sobrepor as duas imagens e verificar quantas vezes a imagem no binóculo é maior que a imagem vista a olho nu.

 

Algumas dicas para testar o binóculo (Bustamante 1988):

·       o sistema de focalização deve ser sólido e funcionar com suavidade

·       não deve formar orlas de cor ao redor de objetos luminosos

·       deve estar bem focalizado em todo o campo de visão

·       deve ter uma distância mínima de focalização de 5 metros

·       não deve pesar mais que um quilograma

·       se tiver aumento maior que 15X deve ter encaixe para tripé

·       os modelos recobertos com borracha são ideais para trabalhos de campo pois são melhor protegidos contra golpes, poeira e umidade.

 

Em resumo o importante é experimentar bem o binóculo. Indague junto a conhecidos que tenham binóculos quanto às boas marcas e bons modelos disponíveis no mercado e, naturalmente, bons preços. O ideal seria conseguir alguns modelos emprestados e experimentá-los em campo. Há preferências individuais. Um bom binóculo para um poderá não sê-lo para outro. Um bom binóculo nos dá uma sensação de estarmos vendo com nossos próprios olhos, apenas mais próximos do objeto. Já binóculos de má qualidade dão uma sensação de alívio quando deixamos de usá-lo. Para quem usa óculos deve experimentar o binóculo com e sem os óculos, quando será possível perceber a qualidade do afastamento dos olhos.

Binóculos "in focus" têm a desvantagem de não permitir foco para distâncias menores. Os equipados com "zoom" têm sistemas ópticos inferiores aos dos binóculos convencionais.

Binóculos melhores são feitos com vidros de alta densidade. Vidros de baixa densidade, portanto de pior qualidade, podem mostrar uma pupila de saída não perfeitamente circular, um pouco quadrada.

Pode ser necessário algumas vezes utilizar o binóculo montado sobre um tripé. Verificar se ele tem sistema de adaptação a esse acessório.

 

Cuidados com o binóculo. A correia do binóculo deve ser ajustada de modo que ele fique na altura do peito, para evitar que fique balançando e corra o risco de colisões. Pode-se também usar uma correia adicional para fixá-lo ao peito quando se precisa saltar algum obstáculo, passar por baixo de cercas, etc. Uma forma mais simples de fazer isto é colocar o binóculo debaixo da alça da bolsa a tiracolo que cruza o peito.

As lentes devem ser cuidadosamente limpas com uma escova apropriada, vendida em lojas de instrumentos ópticos e solventes apropriados. Não é recomendável limpá-las com panos e papéis comuns para não arranhar a fina camada de fluorido de magnésio. Eventualmente a lente poderá estar engordurada, sendo necessário o uso de algum solvente apropriado para limpeza de lentes, que pode ser adquirido em lojas especializadas.

O binóculo deve ser guardado envolvido em um pano, uma flanela por exemplo, para protegê-lo da poeira e no caso de quedas.

É comum ocorrer o crescimento de fungos sobre as lentes, nas partes internas. Normalmente as objetivas podem ser destarrachadas com facilidade, permitindo que se faça a limpeza interna. No caso de se notar dificuldade, ou se houver fungos também nas oculares e prismas, talvez seja melhor levar a um serviço especializado para fazer a limpeza. Os fungos são beneficiados pela umidade que deve ser evitada guardando o binóculo em locais secos e colocando em seu estojo alguns saquinhos de sílica gel. Os ambientes fechados favorecem o desenvolvimento de fungos. Tem-se notado que a melhor forma de guardá-lo é colocando entre ele uma flanela para evitar a poeira e deixando-o pendurado na parede, ou sobre alguma prateleira, ao ar livre.

O sistema óptico do binóculo pode se desalinhar produzindo imagens em pontos diferentes das duas retinas, obrigando os olhos a compensarem isto para que possamos ver uma e não duas imagens. Quando o desalinhamento é pequeno pode passar despercebido. Entretanto, após horas de uso causa cansaço visual e dores de cabeça. Podemos perceber este desalinhamento por um desconforto visual nos momentos em que começamos a olhar com o binóculo ou quando deixamos de olhar com ele. Quando o desalinhamento é grande os olhos não conseguem compensá-lo e a imagem aparece duplicada. Caso isto ocorra o binóculo precisa ser ajustado por um especialista.

 

Binóculos especiais

  

Water Proof (WP) e Fog Proof (FP), à prova d'água e à prova de embaçamento. São binóculos completamente vedados com anéis especiais. Em seu interior há nitrogênio seco, que impede o embaçamento interno.

  

Binóculo com máquina fotográfica. Um modelo moderno tem acoplado a ele uma máquina fotográfica digital. Embora de baixa resolução e com problemas em ambientes pouco iluminados, este dispositivo permite uma grande versatilidade na documentação do que é visto.

 

 

Bustamante, J. (1988)  Ojos nuevos para un observador de la naturaleza. Revista Quercus Nº 28. Madrid, Espanha.

Laycock, G. (1976) The bird watcher’s bible. New York: Doubleday & Company.

Narosky, T. & Bosso, A. (1995)  Manual del observador de aves. Buenos Aires: Editorial Albatroz.