Gravando vozes de aves

Por que gravar vozes de aves?

 

Para ajudar na identificação de uma ave que vocaliza no campo.

Para distinguir espécies gêmeas, que são espécies muito parecidas visualmente.

Pra atrair aves e visualizá-las mais perto, gravar a voz ou fotografá-las melhor (fazer play-back) .

Para documentar os registros com as vozes das espécies.

Para obter materiais para estudos de bioacústica e taxonomia.

Para produção de CDs e outras formas de divulgação de sons da natureza.

 

O que deve ser registrado junto a cada gravação de voz?

 

O conteúdo e extensão destas informações dependerá do objetivo da gravação. Quanto mais informações, maior o valor científico da gravação. Alguns preferem registrar os dados ao final de cada gravação, mas estes podem também ser registrados à parte em um mini-gravador ou caderno de campo.

 

Localidade: se possível também coordenadas geográficas e altitude

Data

Hora

Habitat

Equipamento utilizado (gravador, microne)

Espécie gravada: sexo, jovem, casal em dueto

Se voz espontânea ou após estímulo com play-back

Outras espécies vocalizando ao fundo

Comportamento da ave no momento, se estava em bando misto ou não

 

Gravadores digitais

 

Gravadores modernos, que substituiram os antigos gravadores analógicos (vid Apêndice) Têm como vantagens com relação aos anteriores o baixo peso, já que são aparelhos de pequenas dimensões, alguns com dimensões próximas de um maço de cigarros.

 

Gravadores DAT e MD (vide Apêndice)

 

Hard Drives. Esta é a mais nova versão de gravadores. Dispensam fitas ou CDs, gravando direto em um HD, de onde os arquivos podem ser repassados direto para o computador pelo sistema Fire Wire. Gravam em formato wav. Versões mais modernas utilizam placas de memória, que podem ser trocadas à medida que completam sua capacidade de armazenamento. Uma forma de calcular a capacidade de gravação de vozes dessas placas é que uma gravação mono de 44,1 kHz, 16 bit, ocupa, para cada minuto de gravação, 5 megabits de memória. Portanto, uma placa de 2 gigabits permite gravar 3 horas, com essa qualidade de gravação.

 

Gravadores Compact Flash e com placas de memória. Utilizam o mesmo sistema das modernas câmaras digitais. São mais compactos, permitem uma grande capacidade de armazenamento e fácil passagem dos dados para o computador.

 

Voice Recorder. São gravadores bastante compactos, muito usados por repórteres. Alguns gravam em wav e outros em mp3. Têm a vantagem do pequeno tamanho, menor preço e já virem com o microfone embutido. São bons para fazer uma gravação em campo seguida de play-back ou para levar a gravação para posterior identificação em casa. A desvantagem é que têm um espectro de gravação menor, deixando de gravar alguns sons mais agudos ou mais graves.

 

Field Recorder. São gravadores destinados a gravações com melhor qualidade e análise posterior das vocalizações com sonogramas, etc. Em geral não vêm com microfone embutido, desta forma deverá ser usado um microfone externo.

 

Algum modelos de gravadores digitais indicados para gravar vozes de aves

 

Qualidades de um bom gravador

 

Gravar em wav

Ser robusto, o que diminui a captação de sons do próprio gravador

Ter um auto-falante próprio

 

Marantz PMD620 -

 

Marantz PMD 661 - O consumo de pilhas é maior que os Sony; plug tipo triplo, que tem maior risco de dar defeitos.

 

 

Olympus LS10 ou 12

 

Sony PCM D-50 - Entrada P2; boa durabilidade das baterias; só grava em estéreo.

 

Sony PCM-M10

 

Tascam DR07 - Grava mp3 e wav; entrada P2; bateria tem boa durabilidade; pode usar baterias alcalinas e de cadmium.

 

Tascam DR100 -

 

Tascan DR04 -

 

Zoom H4n - Pouco peso, pode dispensar uso de microfone externo. Função pre-reccord buffer - deixando o botão rec em pausa, grava os 2 segundos anteriores ao acionamento do botão rec para gravar. Útil para gravar espécies que vocalizam a intervalos longos e variáveis. Botão para regular a amplitude do sinal de entrada, Entrada para plugue XLR (3 pinos), P10 (banana) e P2 (Bananinha), Microfone embutido stereo (1 par de microfones) ideal para gravações de aves vocalizando num raio de 20m. Baixo consumo de pilhas. Phanton Power de 24V e 48V - para uso de microfones cardioides ou com microfones condensadores sem o uso do phanton do microfone. No caso se pode usar, por exemplo, um sennheiser sem pilhas no módulo K6, mas no caso do uso de phanton power do gravador o consumo das pilhas aumenta um pouco.

 

 

Microfones

 

Os microfones dinâmicos não requerem energia elétrica e são mais duradouros, porém têm como desvantagem não terem um bom sinal de saída.

Os microfones de condensadores requerem energia elétrica e são mais sensíveis com bom sinal de saída. Podem ser afetados pela umidade. Podem ser de dois tipos: "eletret" e RF (rádio frequência). Como exemplo do primeiro está o microfone Sennheiser ME66/K6 e como exemplo do segundo o Sennheiser MKH70. Os tipo "eletret" são suscetíveis de descargas estáticas que dão estalidos, podendo assim prejudicar a gravação. Os tipo RF são mais resistentes à umidade.

 

Microfone unidirecional. Estes microfones captam o som proveniente de uma área restrita. A unidirecionalidade do microfone é conseguida através do tubo que envolve o microfone. Quanto mais comprido o tubo, maior direcionabilidade. Obviamente estes microfones devem ter uma grande sensibilidade. São famosos os da marca Sennheiser. São equipamentos caros (em geral acima de 500 dólares) e em geral não disponíveis em nosso meio, devendo ser importados. O Sennheiser ME captam sons na faixa de 40 a 20000 Hz, onde se incluem praticamente todas as vozes de aves. Os da marca Yoga, mais simples, captam na frequência de 100 a 16.000 Hz. Microfones utilizados em filmadoras comuns também podem ser utilizados com bons resultados, já que também são direcionais. 

 

Microfones omnidirecional ou cardióide com uso de parábola. É o sistema que apresenta melhor resultado. A parábola aumenta tremendamente o ganho do sistema sem ruídos eletrônicos adicionais. É muito apreciada pelos pesquisadores que necessitam de gravações de alta qualidade. Sua grande desvantagem é a dificuldade de transportá-la e alguma dificuldade em seu uso, já que deve ser apontada para a fonte do som com alta precisão, o que não é fácil se ave está escondida ou se movimentando. Da mesma forma, qualquer pequeno contato com a parábola durante a gravação causa ruídos. Mas seus adeptos, como Jeremy Minns a defendem até usando argumentos de que servem como um excelente guarda chuva e são úteis também para defender-se contra cães agressivos! Eventualmente podem também ser usadas para preparar uma salada! Parábolas também não são achadas com facilidade no mercado nacional, em geral devendo ser importadas. Com alguma paciência e habilidade podem ser feitas improvisações e fabricadas artesanalmente. O ornitológo Frederico Lencioni fez sua primeira "parábola" com um tacho velho! Jeremy Minns também preparou um molde com o qual fez uma parábola de fibra de vidro. Há ainda até os que se utilizam de um fundo de garrafa de plástico (PET) de 2 litros para utilizar como uma mini-parábola, melhorando o desempenho de um microfone comum.

Há gravadores mais modernos, ainda não disponíveis em formatos portáteis, que usam o sistema linear não comprimido, que gravam no sistema wav, o mesmo usado pelo computador. Desta forma, a transferência do arquivo para o computador se dá sem perda de qualidade e de forma mais rápida.

 

Um aspecto importante é a frequência de captação do microfone. Alguns microfones mais baratos (como o Yoga) captam em torno de 100 até 16000 hz, o que cobre mais de 95% das vocalizações das espécies. É muito raro uma voz de ave ultrapassar os 16000 hz. O Senheiser ME66 capta até 20000 hz.

 

Uma vantagem dos microfones é ser "ativo", ou seja, alimentado por uma fonte própria de energia, o que em geral é feito por meio de pilhas AA ou AAA.

É preciso verificar a capacidade do gravador. Não adianta ter um microfone com alta capacidade de captação de frequências se o gravador não tiver essa mesma capacidade. O tradicional gravador de fita Sony TCM capta até 90000 hz, porém essa capacidade não será adequadamente utilizada se o microfone não tiver também uma alta captação.

 
Já os modelos mais avançados do gravadores digitais Panasonic ou Olympus, por exemplo, captam até 16000 ou 17000 hz. Neste caso não adianta usar um microfone com captação maior pois essa será perdida no processo de gravação.

 

Parábola. O refletor parabólico tem a função de concentrar o som em um microfone (utilizam-se microfones omni-direcional ou cardióide). A capacidade de amplificação mecânica da parábola depende de seu diâmetro. Com o uso da parábola pode-se fazer gravações a maiores distâncias e com uma mais alta relação sinal-ruído que com qualquer outro sistema de microfones. A amplificação se dá sem o ruído eletrônico adicional apresentado pelos amplificadores internos. O posicionamento adequado do microfone no foco da parábola é fundamental para seu correto desempenho e para isto existem técnicas que utilizam fontes artificiais de som ou a própria luz do sol. Entre as desvantagens da parábola estão seu tamanho, dificultando o transporte, especialmente dentro da mata, dificuldade para captar sons de baixa frequência (ondas largas) e o fato de produzir ruídos com qualquer contato com ela, o handling noise. O correto direcionamento da parábola à fonte do som é fundamental para o melhor aproveitamento na gravação. Esse direcionamento pode ser prejudicado quando a fonte do som não está visível. O uso de fones de ouvido pode ajudar a encontrar a fonte do som.

 

Técnicas de gravação

 

A gravação em wav permite melhor qualidade de som, comparada com a gravação em mp3. Este formato deve então ser preferido, a despeito de ficarem mais pesados. Os laboratórios de bioacústica preferem que as vozes sejam depositadas em wav. O mp3 é um formato comprimido, economizando assim memória. Alguns preferem gravar neste formato, quando a gravação destina-se apenas à identificação da espécie ou fazer play-black.

 

Gravar sempre em 48kHz, 24bits e mono (não estereo). Poucas aves têm vocalizações com frequência superior, nestes casos o ideal é gravar com 96 Khz.

 

Reduzir barulho estranho: aproximar-se da ave o máximo (usar técnicas de camuflagem); posicionar-se corretamente relativamente ao barulho (dar as costas para um riacho ou outra fonte estranha de som, por exemplo); usar wind screens (protetores de vento adaptados ao microfone).

Com gravadores analógicos, gravar com o maior volume possível sem "estourar", mas mantendo sempre um limite de segurança. Com o gravador digital,  grava-se com ganho médio e depois aumenta-se o volume na pós-produção, se necessário.

 

Gravar usando o fone de ouvido, para ir monitorando a gravação.

 

Evitar introdução de ruídos adicionais: usar "porta-microfones" (evita o ruído da manipulação. Há modelos vendidos no comércio, mas pode ser feito um modelo caseiro com um tubo de PVC dentro do qual se prende o microfone com o uso de elásticos).

 

Vegetação entre a fonte de som e o microfone podem alterar a voz, principalmente para sons de mais alta frequência.

 

Onde há muito ruído ambiental, pode-se valer de barreiras existentes no local, como troncos de árvores, muros, pedras, etc, para reduzir esse som ambiental. Onde há ruídos de riachos, procurar ficar o mais distante deles e gravar agachado.

 

Não esperar a ave começar a vocalizar para iniciar a gravação, o que produz vozes "decapitadas". Da mesma forma, gravar 5 ou 10 segundos após a ave parar de vocalizar.

 

Gravar também os intervalos entre as vocalizações, no mínimo 2. Se houver variação no tempo do intervalo é desejável gravar mais intervalos, para se ter uma idéia melhor de sua duração média. Se o intervalo é muito longo, pode-se dispensar gravá-lo, mas é necessários registrar sua duração e informar isso junto à voz gravada.

 

O conhecimento da biologia de cada espécie pode ajudar: horários em que vocaliza mais, onde pousa para cantar, locais de arenas.

 

Documentação: logo que se chega ao local onde serão feitas as gravações, deve-se gravar um comentário com a data (se não registrada automaticamente pelo gravador), a localidade e qualquer outra informação de interesse (altitude, tempo, habitat). Após cada corte, gravar um comentário com, no mínimo, a hora, o nome da espécie principal gravada e se a vocalização foi natural (espontânea) ou feita após playback. Outras informações importantes são a descrição do habitat e do comportamento da ave e a identificação das outras espécies vocalizando. Se a ave foi avistada e não identificada, este é o momento para fazer uma descrição detalhada da morfologia e comportamento dela para identificação posterior.

 

Armazenamento no computador: deve-se passar todas as gravações para o computador e mantê-las inteiras, sem cortes, para a eventualidade de um dia ser necessária a gravaçção originail. Nunca se sabe o que você vai achar de interessante numa gravação antiga, na medida que se fica mais experiente em identificar vocalizações. A habilidade em filtrar gravações também irá melhorar e é importante poder voltar à gravação original para poder experimentar novas técnicas de limpá-la.

 

Computação

 

Facilita o acesso às gravações (a digitalização e guarda dos arquivos no computador permite acessá-los rapidamente)

Facilita comparações entre gravações e identificação (pode-se tocar duas vocalizações ao mesmo tempo ou ouvir uma imediatamente após a outra)

Análise (sonogramas)

Amplificação e redução de ruído

Comunicação com outros observadores (passar por e-mail, disponibilizar em sites)

Transferência de gravações para o computador

Conexão física gravador/computador: com um cabo apropriado conecta-se a saída do gravador ("line out" ou saída para fone) com a entrada ("line in" da placa de som - placa de multimídia). Com um programa editor de som no computador (CoolEdit, por exemplo) grava-se o som em um arquivo. Para passar do computador para o gravador, faz-se o inverso: "line out" ou saída para caixa de som do computador e "line in" do gravador. Neste processo de transferência, mesmo de um MD, há alguma perda de qualidade, já que o arquivo é transformado no computador em um arquivo com o formato wav. A tranferência é também em tempo real, ou seja, o som é tocado normalmente no gravador enquanto é gravado no computador. Uma decisão a ser tomada no momento da digitalização é quanto ao nível de precisão que se quer para o som digitalizado. Esta qualidade é medida em bits/segundo.

 

Softwares

CoolEdit 2000 (www.syntrillim.com). Dicas para utilizar o CoolEdit

Avisoft (www.avisoft-saslab.com). Há versões demo, porém estas não dispõem de recursos importantes.

Canary (só Mac).

Raven (Mac e PC) (www.ornith.cornell.edu/LNS/). Macaulay Library  (http://macaulaylibrary.org).

 

Para trabalhos mais simples algumas versões mais simples "Demo" podem ser baixadas da Internet:

Audcity.

Cool Edit 2000 (http://ziggi.uol.com.br/downloads/cool-edit-2000).

Formatos de arquivo: Há um grande número de formatos. O .wav exige muita memória, mas é bom em termos de evitar perdas de qualidade. O .mp3 exige pouca memória, sendo bom para Internet.

 

Programas para organizar as informações sobre gravações

 

Diversos programas podem ser usados para esta finalidade, específicos ou não. O Microsoft Access pode servir para esta finalidade.

Para cada gravação existente pode-se incluir no arquivo as seguintes informações:

Data e hora da gravação

Espécie e subespécie

Observador

Localidade (também coordenadas, município, estado, etc)

Onde está a gravação (fita, CD e, se tem uma versão no computador: nome do arquivo)

Tipo de vocalização

Qualidade da gravação

Sexo da ave

Comportamento

Espécies que estão vocalizando no fundo

Se foi feita foto ou filmagem da ave

Se a ave foi coletada e número e local onde o espécime foi depositado

Se o ninho foi coletado e onde foi depositado

Sites & Listas de Discussão

Técnicas e equipamentos para gravar sons naturais: http://birds.cornell.edu/LNS/

Programas: http://www.syntrillium.com

Avisoft: http://avisoft.de/

The British Library National Sound Archive: www.bl.uk/nsa

Sound Analysis Software

Cornell Library of Natural Sounds

The Nature Recordists List www.egroups.com/group/naturerecordists

Mini-disc.com www.minidisc.org/

Instituições que depositam vocalizações de aves no Brasil

 

Laboratório de Bioacústica da UNICAMP

Universidade de Campinas

Campinas, SP

 

Arquivo Sonoro Prof. Elias Coelho

Universidade Federal do Rio de Janeiro

Instituto de Biologia

Departamento de Zoologia

Cx. Postal 68033

21944-970 – Rio de Janeiro, RJ

Discos, fitas e CDs com vozes de aves já produzidos no Brasil e outros com vozes de aves brasileiras

Veja as aves brasileiras cujas vozes estão publicadas

Bibliografia

Aubin, T. (1994) SYNTANA: a software for the synthesis and analysis of animal sounds. Bioacoustics 6:80-81.

Budney, G. F. & Grotke (1997) Techniques for audio recording vocalizations of tropical birds. Ornith. Monographs 48:147-163.

Kettle, R. & Vielliard, J. M. E. ((1991) Documentation standards for wildlife sound recordings. Bioacoustics 3:235-238.

Kroodsma, D. E., Vielliard, J. M.E. & Stiles, F. G. (1996) Study of bird sounds in the Neotropics. In: Kroodsma, D. E. & Miller, E. H. (eds) Ecology and evolution of acoustic communication in birds. Ithaca:Cornell University Press. p. 269-281.

Kroodsma, D. E., Budney, G. F., Grotke, R. W., Vielliard, J. M. E., Gaunt, S. L. L. Ranft, R. & Veprintseva, O. D. (1996) Natural sound archives: guidance for recordists and a resquest for cooperation. In: Kroodsma, D. E. & Miller, E. H. (eds) Ecology and evolution of acoustic communication in birds. Ithaca:Cornell University Press. p. 474-486.

Vielliard, J. M. E. (2000) Estado atual das pesquisas em bioacústica e sua contribuição para o estudo e a proteção das aves no Brasil. In: Alves, M. A. S.; Silva, J. M.C.; Sluys, M. Van; Bergallo, H. G. & Rocha, F. D. (eds.) A ornitologia no Brasil: pesquisa atual e perspectivas. Rio de Janeiro: Editora da Universidade do Rio de Janeiro. p. 287-301.

 

APÊNDICE

 

Gravadores analógicos

 

Os gravadores de rolo e fita K-7 se mostraram muito confiáveis mesmo em condições ambientais adversas como com muita umidade. Há normas internacionais de calibração destes equipamentos, de modo que fitas gravadas em um equipamento tenham fidelidade quando reproduzidas em outro.

 

Gravadores de mini-cassete: são simples e baratos e ajudam perfeitamente na documentação de vocalizações e para levá-las para outros identificarem. O ideal é que tenham entrada opcional de microfone e saída de som, para a eventual digitalização. Outro uso é para ir registrando as anotações de campo, evitando assim o trabalho de ficar escrevendo.

 

Cassete normal. Os mais conhecidos são o Sony TCM-59 V e o Sony TCM 5000 EV. Estes foram muito usados por ornitólogos. Permitem voltar a fita alguns segundos, repetindo a voz gravada, para fazer play-back. O auto-falante também é muito potente ajudando bastante no play-back. O Sony TCM-5000EV é tido como o que apresenta o maior volume de reprodução de som em seu alto-falante. É melhor gravar a fita de um só lado. Verificar nos manuais o tipo de fita mais recomendável. Em geral as de ferro são preferíveis às de cromo. Também são recomendáveis fitas de menos tempo (60 min), pois as de mais tempo são mais finas. Outro modelo apreciado é o Marantz PMD-221. Alguns recursos desses gravadores, como sistemas de redução de ruído (Dolby ou DBX) não devem ser utilizados, pois são adequados para a gravação da voz humana ou música, mas são prejudiciais à gravação de vozes de aves.

 

 

Sony TCM

 

Os gravadores de fita K7 tendem a cair em desuso, com o advento de aparelhos digitais. O fato de dependerem de uma mecânica com motor, polias, etc, aumenta as possibilidades de defeitos. Também por exigirem o retorno da fita para fazer play-back, com a consequente emissão de um ruído, são fatores tidos como indesejáveis.

 

Gravadores de rolo. Estes gravadores têm fitas mais largas e velocidades lineares maiores que os gravadores de K-7. Permitem uma amplitude de frequência maior, bem como maior fidelidade e melhor relação sinal-ruído de todos os gravadores analógicos. Um equipamento muito apreciado dessa categoria para gravação de vozes de aves é o Nagra IV-S. Entre outras qualidades são citadas a possibilidade de uso de fones de ouvido durante a gravação, conectores especiais de entrada de microfones, velocidade de gravação de até 15 ips (polegadas por segundo, durabilidade, resistência à umidade e baixo consumo de energia. Entre as desvantagens desse tipo de equipamento são citadas o peso e custo.

 

Gravadores digitais em desuso

 

DAT. Utilizam fitas magnéticas para armazenamento. São equipamentos caros e que tendem a cair em desuso em ornitologia. Entre as desvantagens citadas estão sua suscetibilidade em lugares muito úmidos (o uso nestas condições pode danificar o aparelho), embora alguns modelos contem com um sistema de proteção contra a umidade; o retorno da fita é muito rápido, dificultando a localização de uma gravação; nem todos os modelos permitem audição simultânea do que está sendo gravado; o consumo energético é alto. As partes móveis também podem dar problemas com alguma frequência

 

MD. (MiniDisc). Utilizam discos ópticos para armazenamento, com capacidade de 74 min. O sistema digital ocasiona menos perda de qualidade quando se copia ou se transfere a vocalização para o computador. É a opção mais moderna e tende a ser o mais usado em ornitologia. Utiliza um sistema de compressão dos arquivos gravados. Na prática, para o ouvido humano, DAT e MD têm qualidade semelhante. Têm saída para fone de ouvido, o que permite ir monitorando o som que está sendo gravado. Mas não têm amplificador nem auto-falante, desta forma, para reproduzir o som (para play-back, por exemplo) é preciso usar algum equipamento extra, como o popular "Radio Shack" ou utilizar caixinhas de som (com amplificador) usadas em computadores ou ainda um gravador de fita K-7 comum, com um cabo apropriado (que tem numa das extremidades uma fita K-7). Um grande vantagem do MD é a rapidez na localização de uma gravação, já que as gravações são feitas em faixas (como num CD de música), ao contrário da fita K-7 cuja localização pode demorar até 90 segundos. O MD tem também um modo de repetição contínua de uma determinada faixa, o que facilita muito a realização de play-back. O equipamento pode até ser deixado tocando num lugar e o observador se afastar e a alguma distância observar a ave. Outra vantagem é que as faixas podem ser mescladas ou divididas. Vários episódios de gravação de uma mesma ave (que geram diferentes faixas) podem ser mescladas em uma só faixa. Uma faixa com várias vozes (um bando misto por exemplo), pode ser subdividida, gerando faixas menores com a voz de uma única espécie, permitindo o play-back apenas desta. Da mesma forma, faixas podem ser mudadas de lugar. Desta forma, uma vocalização pode ser editada no próprio gravador. Há ainda alguma controvérsia em torno do processo de compressão utilizado nos MD (o sistema ATRAC, da Sony, permite comprimir em aproximadamente 20% do tamanho original antes de gravar no disco). Este descarta as partes do sinal que a audição humana não aprecia com o fim de reduzir o espaço no disco. Alguns consideram isto um defeito, já que poderia descartar partes inaudíveis pelo homem mas importantes para a ave. Outros acham que este aspecto é desprezível. Durante vários anos o Macaulay Library of Natural Sounds do Cornell Lab of Ornithology ativamente desencorajou o uso de MDs para gravar sons naturais. Entretanto, na atualidade muitos profissionais conceituados dessa área têm usado esse equipamento e afirmam que a qualidade das gravações é perfeitamente satisfatória para seus objetivos.

 

Uma versão mais moderna dos gravadores de MD é o Hi-MD da Sony. Estes apresentam uma capacidade superior de memória (1 Gb) e têm nova tecnologia de compactação que não acarreta perda significativa de informação como no MD tradicional. A transferência dos arquivos do Hi-MD pode ser feita diretamente para o PC, via cabo USB, sem a necessidade de gravar via placa de som, como acontece com o MD tradicional, além do processo ser muito mais rápido e permitir uma cópia sem nenhuma perda de qualidade. Utiliza pilhas AA. O MD é o mesmo usado nos aparelhos convencionais.

 

As desvantagens apontadas hoje para esse tipo de equipamento é o fato de ter partes móveis, o que aumenta as chances de defeitos e o uso de mídias (MD) com pouca capacidade de armazenamento.