Esconderijos e cabanas

 

Luiz Fernando de Andrade Figueiredo

 

Na observação "de espera" o observador fica parado em algum lugar, esperando as aves. Será melhor ficar escondido e para isto podem ser usadas cabanas.

 

Muitas vezes alguma edificação vem a calhar como esconderijo. Pode ser uma residência, especialmente se for uma casa de campo, um paiol de fazenda e outras. Uma cabana rústica pode ser construída com material encontrado no próprio local, como galhos e folhagens. Não é adequado reutilizar estes locais pois podem servir de esconderijo também para animais peçonhentos. O ideal é uma cabana portátil, levada pelo observador para ser montada no local adequado.

 

Uma cabana muito simples pode ser feita colocando-se um pano sobre uma armação de três ou quatro paus, à moda de uma cabana indígena. Sua vantagem é que basta levar o pano, obtendo-se os paus no próprio local. Se o observador for permanecer por pouco tempo no local, basta cobrir-se diretamente com o pano, deixando apenas uma pequena abertura em frente ao rosto, à moda de uma capa de chuva. Algum arbusto ou galho pode também servir de suporte para o pano.

 

Uma cabana mais elaborada é a que os americanos chamam de "blind" e os ingleses de "hide". É uma pequena barraca com uma armação de madeira ou metal coberta com um pano. Nos lados são feitas janelas de observação que podem ter dez centímetros de altura, suficientemente largas para permitir uma boa visibilidade, à moda de uma guarita. O observador fica assentado no chão ou em um pequeno banco dobrável, do tipo usado em camping. Diversos modelos de cabanas têm sido propostos. O formato pode ser triangular (Lecroy 1975), cúbico (Pettingill 1970), cilíndrico (Robins 1972), ou piramidal. O material para a armação pode ser tubos de alumínio, tubos de metal condutores de fiação elétrica, tubos de PVC rígido, madeira e outros.

 

Para o estudo das aves que frequentam os estratos superiores das matas pode ser feita uma "torre de observação": a cabana é construída no topo de uma armação de madeira (Pettingill 1970). Outra alternativa é uma pequena cabana sobre uma plataforma presa ao tronco de uma árvore (Bortolotti 1982). As estruturas metálicas usadas na construção civil permitem a construção rápida de uma torre, com a vantagem de poder ser desmontada e transportada para outro lugar.

 

Um "blind" pode também ser montado sobre um pequeno barco, na observação de aves aquáticas e ribeirinhas.

 

O pano ou outro material usado para fazer a cabana deve ser de cor camuflada. Se for pano, é bom que seja previamente impermeabilizado, o que dará maior durabilidade e permitirá que a cabana seja usada também como abrigo contra a chuva. No comércio existem impermeabilizantes para pano, alguns sobre a forma de spray. O pano deve ser suficientemente grosso e opaco para impedir que a ave perceba a silhueta e os movimentos do observador dentro da cabana. Um tecido apropriado é a lonita ou o brim. O plástico, tem a vantagem de ser impermeável, mas não é um bom material pois esquenta muito ao sol e faz barulho ao vento.

 

Alguns autores sugerem a construção de "túneis", na verdade corredores cobertos, para acesso à cabana, com o objetivo de perturbar o mínimo possível as aves. Já se notou que as aves não se aproximam de uma barraca onde viram entrar alguém e têm inclusive a habilidade de "contar" quantos entraram, só se aproximando quando todos tiverem saído (Rolf Grantsau, informação pessoal).

 

O próprio carro pode ser utilizado como esconderijo. Muitas vezes é mais fácil aproximar-se das aves dentro de carros que a pé. Também percebe-se que estando a cavalo conseguimos nos aproximar mais de algumas aves.

 

Le Croy, M. (1975) Easily built portable blind. Bird Banding  46(2):166-8.

Pettingill Jr., O. S. (1970) Ornithology in Laboratory and Field. 4th ed. Minneapolis: Burgess.

Robins, J. D. (1972) An inexpensive cylindrical blind for observing and photographing birds. Bird Banding  43(3):218-9.

Bortolotti, G. R. (1982) An easily assembled tree-top blind. Journal Fld Ornith 53(2):179-81.