GUIAS DE CAMPO

Luiz Fernando de Andrade Figueiredo

 

Os guias de campo são catálogos para identificação das aves de uma região: um continente, um país, um estado, ou áreas pequenas como uma cidade e seus arredores, um conjunto de pequenas ilhas, etc. Em geral estes guias têm formato pequeno, para serem levados para o campo. Há três tipos básicos: os descritivos, os figurativos e os mistos.

Os descritivos dão as descrições das aves. Geralmente trazem também outros dados como distribuição geográfica, habitat e dados sobre a biologia das espécies que são úteis na identificação, como canto, tipo de vôo, etc. Alguns são ilustrados com desenhos de algumas espécies. Um exemplo deste tipo é o “Guide to the Birds of South America”, de Rodolphe Meyer de Schauensee.

Os guias figurativos trazem desenhos ou fotografias. Exemplos são o “Aves Brasileiras” (desenhos), de Johan Dalgas Frish e o “South American Birds” (fotografias), de John S. Dunning.

 

Apesar de muito agradáveis por constituírem um álbum de aves estes guias não são tão precisos como os descritivos. Há grupos de aves em que a distinção entre as espécies depende de detalhes que nem sempre podem ser mostrados com clareza em fotografias ou desenhos. Suas vantagens são a de permitir a visualização das características morfológicas gerais das diversas famílias, o que ajuda a conhecê-las e o fato de ser mais fácil memorizar uma ave pela sua foto ou desenho que pela descrição. Ao vermos uma ave no campo podemos nos lembrar de já tê-la visto no guia.

 

Os guias mistos trazem descrições sumárias e desenhos, além de dados importantes na identificação de campo, como canto, tipo de vôo, etc. As descrições ressaltam os aspectos mais salientes e marcantes de cada espécie, que podem ser observados sem dificuldade à distância. Estes aspectos são denominados marcas de campo, "field marks". Um exemplo clássico deste guia é o famoso “A Field Guide to the Birds”, publicado em 1934, de Roger Tory Peterson, que foi o inventor deste tipo de guia. Nos guias de Peterson pequenas flechas indicam os elementos mais distintivos da plumagem das espécies. Este sistema chamado “sistema Peterson de identificação” ficou muito famoso e chegou a ser patenteado por seu autor (Bartroli 1993). Em nosso meio, apesar de não ser propriamente um guia de campo, mas que pode ser usado como tal, é o “Beija-Flores do Brasil”, de Rolf Grantsau. Este, além de desenhos e descrições, traz chaves de identificação. Um exemplo de um guia para uma área bastante restrita é o “Aves no Campus”, de Elizabeth Höfling e Hélio Ferraz de Almeida Camargo, com desenhos de Frederico Lencioni, que retrata as espécies de aves da Cidade Universitária da USP, em São Paulo.

 

Guias de campo ou livros bem ilustrados de países vizinhos também podem ser muito úteis. São muito apreciados alguns guias da Venezuela e Colômbia e outros países da região para a identificação de aves da região amazônica.

 

Que tipo de guia é melhor, o de fotos ou o de desenhos? Há autores que desaconselham os fotográficos, argumentando que as condições de iluminação em que foi feita a foto, a presença de sombras e o tipo de película, podem não permitir mostrar diferenças sutis que diferenciam as espécies (Bartrolí 1993). Já outros discordam, esclarecendo que se a fotografia for feita adequadamente, com todos os cuidados de uma boa técnica, a foto será mais fidedigna que o desenho.

 

Bartrolí, X. (1993) Locos por los pájaros. Integral 7(161):65-70. (Espanha)