Lunetas na observação de aves

 

Luiz Fernando de Andrade Figueiredo

 

Lunetas são ideais quando se pretende observar aves que não deixam que se aproxime muito delas, mas que permanecem pousadas por longo tempo. Se binóculos com aumento de 7 a 10 vezes já ampliam muito as possibilidades de observação de aves, imagine aumentos de 20 vezes e mais. Com certeza a luneta será o próximo desejo do observador já satisfeito com seus binóculos.

O diâmetro da objetiva ou abertura é um elemento fundamental em sua qualidade. Quanto maior a abertura mais luminosa será a imagem e mais detalhes poderão ser vistos, ou seja, a imagem terá melhor resolutividade. As lunetas em geral são especificadas pelo valor de seu abertura, dada a importância deste item. Do mesmo modo o comprimento de foco (a distância entre a objetiva e o ponto onde a imagem é focada) é um indicador de qualidade, já que quanto maior este, maior a imagem formada, que por sua vez será ampliada pela ocular. Sendo maior a imagem formada pela objetiva, as oculares poderão ter aumentos menores, mantendo a qualidade da imagem. Para evitar que as lunetas fiquem muito compridas com os altos comprimentos de foco são usados sistemas de prismas. O aumento da luneta simplesmente pode ser um dado enganador, pois ela pode ter um grande aumento mas com imagem de má qualidade. Diâmetro da objetiva e comprimento de foco são os indicadores de qualidade da luneta.

O aumento de uma luneta pode ser calculado dividindo-se o comprimento de foco da objetiva pelo comprimento de foco da ocular.

A qualidade das lentes também é um fator importante. Lentes simples causam o fenômeno chamado de aberração cromática que é a refração das diferentes frequências da luz (cores) em diferentes graus, formando arco-íris. O uso de lentes duplas, de vidros diferentes, cimentadas uma na outra, reduz este fenômeno. Há também as lentes apocromáticas, que corrigem a distorção cromática ainda com mais perfeição. Há lentes feitas com vidros especiais que produzem menor aberração cromática.

Como a imagem formada pelas objetivas é invertida, ou seja, está de cabeça para baixo e com os lados direito e esquerdo trocados, é usado o sistema de prismas que inverte a imagem na vertical e na horizontal. Este sistema acarreta perda de qualidade da imagem. Por isto há lunetas que só corrigem a imagem na vertical. Há entretanto dois problemas: ao se pretender ver algo que está mais à direita da imagem, a luneta deve ser virada para a esquerda. Outro problema é que a ocular fica a 90º da linha da luneta, o que pode ser desconfortável, ao invés de estar alinhada com a luneta ou a 45º. Trata-se aqui de decidir se é preferível o máximo de qualidade de imagem ou maior praticidade no uso da luneta.

Uma decisão importante na escolha da luneta será exatamente optar por modelos que têm ocular alinhada com a objetiva ou a 45 graus. Esta última conformação pode ser melhor quando diversas pessoas com diversas estaturas olharão numa mesma situação. A ocular em ângulo também permite apontar a luneta para o alto e observar de forma mais confortável. Por fim, por ficar numa posição mais baixa, pode ser usada com tripés menores. Algumas lunetas com oculares em ângulo podem também ser giradas, de modo que a ocular fica virada para o lado, uma opção interessante por exemplo para fazer observações de dentro do carro.

O ideal é uma luneta com oculares intercambiáveis, permitindo aumentos de 15 ou 20 a 60X. Há oculares com sistemas de “zoom". As mais antigas não tinham boa qualidade, carretando perda do campo de visão em 30 a 40%, comparado com uma ampliação fixa de mesmo valor. Ultimamente houve grandes avanços em sua fabricação, melhorando muito sua qualidade. Entretanto ainda não se equiparam a oculares de aumento fixo. Novamente a escolha será pelo máximo de qualidade ou praticidade do zoom.

Para os que usam óculos o afastamento dos olhos é também uma qualidade importante na escolha da luneta.

Uma luneta de 20X tem geralmente um campo de visão de 120 pés (aproximadamente 36,5 m) a 1000 jardas.

Os diversos modelos de lunetas podem ser classificados nas seguintes categorias:

Prismáticas pequenas. São compactas, leves e fáceis de transportar no campo. A abertura é geralmente de 60 mm e a imagem não é corrigida na horizontal. É ideal para ser usada dentro do carro. Tem oculares alinhadas com a objetiva ou a 45º. Tem aumentos de 15 a 40X. Alguns modelos modernos, fabricados com vidros especiais, têm qualidade comparável às de 80 mm.

Prismáticas grandes. Objetivas em torno de 80 mm, permitindo aumentos de 20 a 60X. Boas para situações de pouca iluminação. São mais longas, mais volumosas e mais pesadas que as anteriores. Oculares em linhas ou a 45º. Há modelos com lentes tratadas com fluorido ou feitas com vidros especiais.

Pequenas lunetas astronômicas. Geralmente são modulares, permitindo incluir partes opcionais, como prismas para inverter a imagem totalmente ou apenas na vertical, para ganhar em qualidade de imagem. Há uma grande variedade de oculares, desde grandes angulares até as que permitem o máximo de aumento. Uma vantagem é poder ser usada também em astronomia.

Lunetas de espelhos. A imagem é formada por reflexão em um espelho, com ajuda de uma lente que corrige a curvatura do espelho. A luz passa primeiro pela lente, depois é refletida por um espelho na parte posterior da luneta, em seguida por outro pequeno espelho que fica atrás da lente frontal e por fim por um buraco no meio do primeiro espelho. Este vai e vem permite um longo comprimento de foco em uma estrutura compacta. Lunetas compactas têm além da versatilidade de uso, a vantagem de serem menos sujeitas a vibrações quando montadas na luneta. O uso de espelho elimina um dos problemas das lentes que é a aberração cromática. Uma vantagem destas é permitir focalização a menores distâncias que as demais. São às vezes chamadas de microscópios de longa distância. Permitem aumentos de até mais de 100 X.

 

A luneta deve ser utilizada obrigatoriamente com um tripé. Já foi dito que uma luneta sem tripé é como se estivesse sem seus próprios pés. Na escolha do tripé há duas qualidades a serem consideradas: a estabilidade e o peso. Quanto mais sólida e estável menores as trepidações, mas por outro lado maior o peso. O critério é escolher a mais resistente possível que se possa carregar confortavelmente. Tripés para filmadoras são melhores que os de máquinas fotográficas, já que  têm sistemas de movimentação mais delicados, alguns com sistemas hidráulicos, podendo ser movidos para todos os lados com uma só mão.