Vestimentas

Luiz Fernando de Andrade Figueiredo

 

O aspecto fundamental da vestimenta é que ela deve ser camuflada, confundindo-se com o ambiente de modo a despertar o mínimo de atenção das aves. Cores e padrões muito vistosos espantam as aves, dificultando a observação. Não é necessário usar roupas feitas de panos especiais camuflados. Basta que elas tenham uma cor discreta, de preferência parecida com a cor “de fundo”. Na mata o verde musgo é uma boa escolha. Já campo aberto talvez seja melhor usar roupas de cores claras, como marrom claro, areia, bege ou cinza (Andrade 1993).

Para melhorar o efeito de camuflagem é conveniente que as diversas peças do vestuário (calça, camisa, boné) tenham cores ou tons diferentes. Deste modo "quebra-se" a silhueta da figura humana.

 

A roupa deve ser adequada às condições do clima. Andar durante horas num campo ensolarado exige uma roupa leve e mais fresca. Ela deve ter também uma certa versatilidade. O observador poderá sair de madrugada quando ainda está frio e permanecer no campo até o meio dia, tendo de enfrentar o calor do sol a pino. Resolve-se isto vestindo uma camiseta e por sobre esta uma camisa e por fim uma blusa leve. À medida que esquenta vai-se retirando as peças. Os praticantes de corrida quando correm no inverno usam esta estratégia, que chamam de "strip-tease". Apesar do inconveniente do calor, as roupas devem ser de preferência de panos mais resistentes, pois além de mais duráveis dão proteção contra espinhos, arranhões picadas de insetos.

 

Um incômodo frequentemente enfrentado são os mosquitos e outros insetos. Neste caso, além de usar repelentes, o uso de camisa de manga comprida pode ajudar. Para evitar a entrada de formigas e outros insetos pelas pernas, deve-se enfiar as pontas das barras das calças dentro da bota e puxá-las por sobre as botas. Para evitar o incômodo dos insetos pode ser interessante às vezes usar uma luva de pano.

 

O calçado deve ser apropriado, com sola de borracha para evitar escorregões. Se há risco de picadas de cobras, o uso de botas de cano longo é indispensável. Se por um lado são pesadas e quentes, por outro dão firmeza aos pés, permitindo que se ande com maior desenvoltura em terrenos acidentados e evitando torções. Se não há risco de cobras, o que dificilmente ocorrerá, pode-se usar botinas de cano curto, de couro ou de lona, com sola especial para andar em terrenos acidentados. Há os que preferem usar sempre botas de borracha ou PVC. Sua grande vantagem é poder passar por lugares alagados ou percorrer trechos acompanhando o leito de riachos. Outra vantagem de serem impermeáveis é de manhã cedo, quando há bastante orvalho na vegetação ou após chuvas. Tais botas devem ser compradas um número acima do que se calça, o que facilita calcá-las e evita que aperte em algum lugar. A fricção das bordas da bota sobre a perna pode causar assaduras. Para evitar isto, o ideal é usar meias compridas de algodão, de futebol, protegendo assim a perna. Para que não caiam pedaços de plantas e mesmo insetos dentro da bota, já que ela tem uma boca larga, deve-se fazer uma dobra na calça criando uma aba que fica dobrada por sobre a bota. Por este motivo, ao comprar calças específicas para sair para campo não se deve cortar suas barras para ajustá-las a nosso tamanho, mas mantê-las o mais compridas possível, o que facilitará sobrepô-las sobre as botas. Há botas de PVC, que têm a vantagem de serem um pouco mais leves. Algumas botas de borracha são revestidas por dentro com um tecido, o que facilita calcá-las e descalçá-las.

 

Algumas botas de couro são impermeáveis, como as pré-tratadas com silicone.

 

Alguns preferem botinas de cano curto acrescentando polainas de couro onde houver perigo de cobras.

 

As botas plásticas de cano bem longo (bota de perna) serão úteis para se entrar em áreas alagadas. Outro equipamento excelente para essa mesma finalidade é a "jardineira", uma vestimenta impermeável que vem até o peito.

 

Nunca se deve usar tênis e muito menos sandálias ou outros calçados descobertos, o que propicia acidentes como picadas de insetos, cortes, arranhões e tropeções.

 

O boné de aba é indispensável. Ele diminui a luminosidade que vem de cima e incide sobre os olhos, permitindo assim uma melhor visibilidade. Isto é muito importante quando se usa o binóculo. Experimente olhar com o binóculo sob o sol com e sem o boné e observe a diferença na luminosidade. Quando fazemos observações de manhã cedo ou de tardinha e olhamos para o lado do nascente ou poente respectivamente, o boné é de grande valor, funcionando como o quebra-sol do carro, sem o que praticamente não conseguimos enxergar. Podemos melhorar o efeito do boné segurando o binóculo com as mãos formando viseiras ao lado dos olhos. Outra vantagem do boné é a de simplesmente fazer sombra no rosto evitando queimaduras de sol. Um substituto do boné é o chapéu. Mas quando se vai andar no meio da vegetação densa o chapéu é mais facilmente derrubado da cabeça, o mesmo acontecendo quando há vento forte. Outra vantagem do boné é que ele contribui para a camuflagem. Lembre-se que cabelo é pêlo e isto é sinal de mamífero, que pode ser um predador. Pessoas com cabelos compridos devem prendê-los e escondê-los sob o boné. Há bonés feitos inteiramente de couro camurçado, que apesar de quente é bem camuflado, resistente e duradouro. Mais uma vantagem: se houver um ataque de abelhas uruçu, que entram no meio do cabelo e causam incômodo pelo barulho que fazem, o boné será uma proteção.

 

Andrade, M.A. (1993) A vida das aves: introdução à biologia e conservação. Belo Horizonte:  Littera Maciel.