Programa de Ciência Colaborativa SAVE Brasil

Desde 2014 o CEO participa do programa de monitoramento participativo, coordenado pela SAVE Brasil. O programa tem como principais objetivos:

1. Diagnosticar a participação pública na coleta de informações que subsidiem programas de monitoramento de aves;

2. Traçar diretrizes para a implementação de um programa de ciência colaborativa no Brasil.

O monitoramento participativo é um projeto de ciência colaborativa definido como uma parceria entre apreciadores do mundo natural com cientistas, para responder questões relevantes à sociedade. A ciência colaborativa convida o público em geral a participar tanto no processo de pensamento científico quanto na coleta de dados.

Um dos primeiros programas de ciência colaborativa ocorreu em 1749 na Finlândia, onde observadores de aves coletavam dados sobre migração. Outro, bastante antigo e que ainda ativo é o Christmas Bird Count, criado pelo ornitólogo Frank Chapman em 1900. O ornitólogo propôs às pessoas que ao invés de abaterem as aves para contar quem matava mais, seria melhor contar os indivíduos de cada espécie. O programa começou com 27 participantes e atualmente conta com 71 mil envolvidos. Na última década surgiram diversos projetos com esse tema, facilitados pela internet.

Hoje os projetos têm variados temas: registro de explosões solares, tendências populacionais de aves, biologia reprodutiva de aves, contagem de borboletas, contagem de joaninhas, avaliação da qualidade da água,  entre outros. A  maioria dos projetos tem o foco em aves. Dentre as instituições que mais desenvolvem projetos de ciência colaborativa com aves estão o Laboratório de Ornitologia da Universidade de Cornell nos Estados Unidos e o Britsh Trust for Ornithology no Reino Unido.

Os observadores de aves enviam seus registros para uma Universidade que retorna essas informações através de estudos populacionais, distribuição das espécies, efeitos das mudanças climáticas, sucesso reprodutivo e taxas de sobrevivência. Como o programa é composto por ornitólogos que validam as informações, esta se torna uma ótima oportunidade de aprendizado para os observadores de aves iniciantes. Os dados são enviados através de protocolos padronizados através de uma plataforma web. Uma das plataformas mais conhecidas é o eBird, desenvolvida pelo Laboratório de Ornitologia da Universidade de Cornell.

Os dados gerados pelos observadores de aves e analisados pela universidade são aplicados na conservação de diversas maneiras, como: monitorar as aves em áreas importantes para a conservação, como em unidades de conservação; testar e validar modelos de distribuição de espécies; implementar ações de manejo direto para determinadas espécies; influenciar políticas governamentais que favoreçam a conservação das aves e por conseqüência a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Contribui com uma das metas da Convenção da Diversidade Biológica que é o monitoramento de biodiversidade, sendo as aves ótimas indicadoras para este fim.

Considerando a grande contribuição que os observadores de aves têm dado em todo o mundo através dos programas de ciência colaborativa, a SAVE Brasil decidiu aderir a esse projeto, tendo em vista que nosso país apresenta uma das maiores biodivesidades de avifauna, além de ocupar o de primeiro lugar em número de espécies ameaçadas.

A observação de aves é uma atividade crescente no Brasil. Os primeiros clubes de observação de aves no país foram criados nas décadas de 70 e 80. Entre os anos de 2001 e 2005 foram criadas listas de discussão na internet, como o Ornitobr e o Birdwatching que tiveram importante papel na mobilização de observadores de aves e comunicação entre estes. Eventos como o Avistar e plataformas como o WikiAves, aliados à popularização das câmeras digitais atraíram cada vez mais adeptos para a atividade de observação e fotografia de aves. O Avistar Brasil ocorre em vários estados brasileiros e fora do país. O WikiAves reúne mais de 17 mil usuários, comprovando o crescente interesse por essa atividade.

Na fase inicial do projeto serão realizados monitoramentos piloto por quatro grupos de observadores de aves, em quatro unidades de conservação: Clube de Observadores de Aves da Bahia (COA-BA), Parque Nacional de Boa Nova; Clube de Observadores de Aves do Rio de Janeiro (COA-RJ), Parque Nacional da Tijuca; Centro de Estudos Ornitológicos (CEO), Parque Estadual da Cantareira; observadores de aves do Paraná, Reserva Natural de Salto Morato.

O monitoramento será feito por equipes de em torno de cinco pessoas, em um trajeto pré-estabelecido, onde deverão se anotados a distância percorrida e o número de horas de observação (esforço amostral), e o número de indivíduos detectados de cada espécie. Será feito em cada estação do ano e em cada um dos quatro núcleos do Parque Estadual da Cantareira: Pedra Grande, Águas Claras, Engordador e Cabuçu.