Parque Estadual Intervales

Com aproximadamente 42.000 ha, com coordenadas 24º15’S, 48º10’S, o Parque está quase que integralmente sobreposto à Zona de Vida Silvestre da APA da Serra do Mar. Engloba grande parte das encostas com declividades altas da Serra de Paranapiacaba, situando-se entre esta e o Vale do Ribeira, com altitudes variando de 60 a 1.100 m. Abrange parte dos municípios de Ribeirão Grande, Guapiara, Iporanga, Eldorado Paulista e Sete Barras. Limita-se ao norte com a EE de Xitué, a nordeste com o PE de Carlos Botelho, a oeste com o PETAR e ao sul com o restante da APA da Serra do Mar. Estas unidades, em conjunto, denominadas de "Contínuo Ecológico de Paranapiacaba", representam a proteção de um extenso corredor, coberto predominantemente por Floresta Ombrófila Densa, considerado o maior remanescente de Mata Atlântica do sudeste do Brasil. O relevo é bastante acidentado, com fortes contrastes altitudinais, o que, associado ao clima úmido da região, favorece a existência de grande variedade de ambientes. Em parte trata-se de relevo de origem calcária, com formações de cavernas e sumidouros, sendo a fauna cavernícola abundante e diversificada. Seus espigões altos, que atingem altitudes superiores a 1.000 m, constituem os divisores de águas formadores de duas grandes bacias hidrográficas: a Bacia do Rio Ribeira de Iguape, que verte em direção ao litoral, e a Bacia do Rio Paranapanema, que corre em direção ao interior.

A fauna é bastante rica, citando-se mais de 80 espécies de mamíferos, entre os quais o mono-carvoeiro, a onça-pintada e a lontra. Apresenta ainda uma alta densidade do palmito juçara, Euterpe edulis, uma das palmeiras mais características da Mata Atlântica, apesar da forte pressão pelo corte clandestino.

O Parque dispõe de uma boa infraestrutura de alojamentos, com um restaurante local. Tem uma equipe de guias de observação de aves com excelente experiência de identificação de aves em campo.

Há uma consideração extensão de estradas e trilhas que percorrem o Parque, permitindo transitar por ele com facilidade. Algumas estradas exigem carros 4x4.

Equipe de observadores de aves em estrada do Parque.

Na parte baixa do Parque encontram-se três núcleos: Saibadela, Caboclos e Guapiruvu. O Nucleo de Guapiruvu ainda não está aberto à visitação da população, pois tem uma importante dificuldade no acesso que é o rio Etá, onde só é possível passar com veículos 4x4 e altos, mesmo assim quando o rio está com sua vazão normal. Visitas de grupos de escolares para atividades de educação ambiental são feitas com uso de trator.

Ultrapassagem do rio Etá com uso de trator.

Entretanto, há uma trilha que sai do Núcleo Saibadela e vai até o Núcleo Guapiruvu, com extensão de 5 km, praticamente plana, seguindo o rio Etá. Esta é uma boa alternativa de visitar o Núcleo Guapiruvu, já que o acesso ao núcleo Saibadela pode ser feito por carros de passeio.

 

Avifauna

Vielliard & Silva (2001) consideram que a avifauna do PE Intervales é típica da Mata Atlântica meridional, com caracteres peculiares, sem uma transição mais gradativa com regiões mais setentrionais da Mata Atlântica, e atribuem isto em parte ao inverno frio, com geadas curtas mas regulares, o que explicaria a ausência de muitas espécies mais setentrionais. Nas áreas desmatadas e antropizadas do Parque são encontradas espécies invasoras, como a garça-vaqueira, o quero-quero, a asa-branca, o anú-branco, o joão-bobo, a lavadeira-mascarada e o chopim.  

O PE Intervales foi indicado como uma [key area] pela presença das seguintes espécies:

Aburria jacutinga

Touit surda

Amazona vinacea

Triclaria malachitacea

Dryocopus galeatus

Biatas nigropectus

Carpornis melanocephalus

Lipaugus lanioides

Phylloscartes paulistus

Platyrinchus leucoryphus

Sporophila frontalis

Dacnis nigripes

Lista de aves do Parque Estadual Intervales